Nutrição Sustentável


Nutrição Sustentável - Para uma saúde verdadeira

10/04/2012

Frugalidade alimentar

A frugalidade é a simplicidade dos costumes e hábitos, é desfrutar a virtude de se reconhecer o valor da vida. Com ela, podemos sentir a natureza e honrá-la em sua origem no passo do compasso, na fonte das necessidades, vivendo-se o “porquê” e o “como” das coisas. 

Quanto ao frugal na alimentação, a natureza humildemente oferta seus alimentos para nos servir, em diversidade de cores, sabores, formas e conteúdos, respeitando nossas preferências em variados níveis e nos fornecendo tudo aquilo que precisamos para viver em harmonia.
 
Entretanto, o ser humano comumente inverte os valores e insiste em ser escravo da alimentação, ao passo que pode utilizá-la para servir seu corpo com o que lhe é necessário.

Tem-se aí o desnecessário que, por vezes, passa a ser o foco principal de consumo. As pessoas se alimentam cada vez mais do que é artificial, enfeitado, processado, aditivado e do complicado. Ao invés de consumirem alimentos com nutrientes certeiros, ingerem-se substâncias ultra-reinventadas, com nomes esquisitos, grandes e com números (vide rótulos) que de fato não nutrem e sim, enganam ou viciam em outras substâncias parecidas. 

Com tal alimentação precária, o ser humano transforma seu corpo numa máquina movida à ilusão e suportada pelo vício alimentar. No entanto, assim como uma árvore não cresce sem chão ou como um navio não navega sem água, bem se sabe que a ilusão não nutre células, nem tecidos e nem órgãos. Nós precisamos de alimentos de boa qualidade nutricional para promovermos nosso preenchimento ideal. 

Em contrapartida, a alimentação equilibrada em sua essência pode trazer foco e criatividade, pois vem da naturalidade e resgata não só a natureza, mas o natural: ressalta-se o que de fato é vida em vez do artificial. Isso porque somos mais que carne e ossos movidos por sangue em pulsação, nós somos uma máquina repleta de parafusos traduzida numa verdadeira obra de arte, que carece de suprimentos específicos e de uma boa manutenção.

Dessa maneira, podemos perceber um caminho universal para uma alimentação saudável. O jeito é dizer adeus para o que não convém, para o que atrasa, embaraça os pensamentos, embaça a visão, esfumaça o coração e retarda a digestão. A simplicidade aniquila o que confunde o paladar e perturba os instintos. Ela afina, pois. 

Viva o frugal. Façamos de nós então uma arte moldada pela natureza com as ferramentas alimentares. E que a alimentação seja a métrica, que o bom hábito leve à rima e que a real nutrição se revele em poesia.

Nutr. Dra. Isis Moreira
Brasília - DF
 
Publicado em 28/03/2012
 

07/08/2011

A poluição por trás dos bastidores

Venho acompanhando a correria do trabalho dentro de uma cozinha industrial, ou seja, em um restaurante.

Ninguém imagina ao sentar-se na mesa de um restaurante para comer, que por trás daquela comida há muito lixo envolvido, muito desperdício, muita sujeira jogada no ralo para o planeta absorver.
São quilos e mais quilos de lixo por dia, são gorduras desprezadas ralo abaixo, são muitas embalagens usadas, são litros e litros de água e detergente. Quannnnta poluição meu Deus.

Isso dói o coração de quem defende a natureza e presencia essa destruição todos os dias. Dói também o coração de quem combate a fome e o desperdício e é obrigada a jogar fora quilos de comida no lixo quando o cozinheiro errou o tempero.

Graças a Deus consegui uma Ong que recolhe os talos e cascas desperdiçados e alimentam pessoas com eles. Estou prestes a conseguir diminuir as embalagens, enxugando um pouco o lixo. O óleo não será mais desprezado direto no ralo. São pequenas coisas que com o tempo se tornam grandes.

Precisamos fazer a diferença por onde passamos. Minha vida agora é lá dentro e enquanto durar vou procurar sempre uma melhora. É um trabalho de formiguinha, mas que já ajuda muito, acredito eu.

Então, aqui vai uma dica: vamos tentar evitar comer fora de casa e alimentar essa produção em massa que aumenta a poluição e a fome e não está diante dos olhos de muitos, mas que existe sim! Vamos compartilhar mais momentos gostosos com os amigos ou com a família cozinhando juntos e distribuindo amor para a comida ficar mais gostosa. Vocês verão a diferença ao saboreá-la. Lembrem-se, vocês estarão diminuindo o impacto no planeta. Menos comida para servir, menos produção, menos poluição, menos desperdício, mais saúde.

Bom apetite!

Em meio a correria

Nunca penssei que um dia viveria o que estou vivendo.
Acordar cedo depois de muito tempo está sendo bom. Ter o que fazer depois de muito tempo está sendo ótimo, ocupa a cabeça. Trabalhar servindo aos outros é mais difícil. Quando no emprego ainda vemos injustiça e escravidão fica tudo mais difícil ainda. Mas quando você para e pensa: "foi Deus que me deu este trabalho", você aceita e agradece.
Morar em São Paulo não é tão ruim quanto eu pensava. É preciso adaptar-se.
Que correria, que estresse, que tumulto e, ao mesmo tempo, que solidão.
Que bom estar perto de quem amo, que bom poder fazer o que te dá vontade, quando resta um tempinho. Que bom sorrir todos os dias com quem não te deixa chorar.
Minha vida hoje é assim.
Por isso não escrevo mais no blog, por isso não entro tanto na internet, por isso escrevo à todos que me acompanham ou me acompanharam um dia e peço desculpas pela falta de informação nesta página.

Tentarei me esforçar mais.

29/06/2011

Hortas em parques para alimentar os moradores de rua



Lembro quando li uma reportagem que falava sobre os parques públicos americanos que contava com mutirões das pessoas que moram perto dele para cuidar dos gramados e flores. Achei genial e gostaria que o mesmo fosse feito aqui. Mas agora eu já vi que isso era só um começo a melhor ideia foi feita pelo movimento Grow Local Colorado: Moradores cuidam do parque e criam uma horta para ajudar os moradores de rua!
A ideia já vem sendo praticada no Colorado (EUA) e oferece alimentos orgânicos de qualidade para os moradores de rua e, de quebra, uma sensação de cidadania ainda maior para a população que toma conta dos parques e de suas respectivas hortas.
Lá já são 14 hortas desde o segundo semestre de 2010 que ficam em oito parques diferentes, todo na mesma cidade. Eles fazem associação com albergues e centros de apoio a desabrigados, o mais novo acordo foi feito com um guroi que ajuda crianças e mulheres sem-teto.
A pergunta que fica é: Quando alguém vai criar isso no Brasil? Me chamem, por favor.

http://www.eco4planet.com/

11/05/2011

Radioatividade em alimentos é tema de discussão em Workshop sobre Segurança Alimentar


02/05/2011

 
A Segurança Alimentar está entre os temas que não se esgotam e exigem uma continuidade de debates para gerar informações científicas que fomentem o diálogo e novas visões de pesquisadores e da indústria. É para atender esta necessidade que o ILSI Brasil promove mais uma edição do Workshop “Atualidades em Food Safety”, agendado para 19 de maio, em São Paulo.
 
O objetivo do evento é discutir questões atuais relativas a aditivos e contaminantes alimentares, inclusive a radiotividade em alimentos, tema que merece ser amplamente debatido diante das dúvidas que surgiram depois do recente acidente com a usina nuclear no Japão. Este e outros temas estarão em pauta. Os dados recentes de estudos de instituições como CODEX ALIMENTARIUS, European Food Safety Authority (EFSA), FDA, ANVISA, MAPA servirão como referência para alinhar as palestras, relacionadas aos riscos toxicológicos e microbiológicos potenciais, ocasionados pela ingestão de alimentos e que podem trazer riscos à saúde.
 
Este ano, a programação inclui abordagens sobre Contaminantes Inorgânicos: status regulatório; Dioxina em alimentos; Migração de compostos de embalagens plásticas; Bisfenol A em embalagem para alimentos; Resíduos de fármacos veterinários em alimentos, Cloropropanóis: formação e ocorrência em alimentos; Furano em Alimentos: dados do Brasil e um painel sobre radioatividade em alimentos.
 
“Há uma preocupação pública constante quanto aos riscos toxicológicos potenciais decorrentes da ingestão diária de substâncias químicas encontradas nos alimentos. Muitas vezes há uma interpretação e compreensão errôneas associadas à segurança destes produtos. Assim, é fundamental discutir os diferentes aspectos deste universo para que haja uma constante atualização dos conhecimentos científicos nesta área”, alerta Maria Cecília Toledo, pesquisadora da UNICAMP e coordenadora científica do evento.
 
Serviço : Atualidades em Food Safety
Data – 19 de maio - Horário – das 8 às 17hs
Local - Tivoli São Paulo Mofarrej - Alameda Santos, 1437 – Jardins / SP
Mais informações e inscrições -
www.ilsi.org.br / e-mail foodsafety2011@ilsi.org.br

30/04/2011

Centro da ONU lança série multimídia sobre a erradicação da pobreza


Brasília, 26 de abril de 2011 - O desafio da erradicação da miséria entrou de vez para a agenda política dos líderes mundiais. A discussão sobre estratégias para aliar crescimento econômico com inclusão social vem recebendo grande atenção por parte de governos de vários países em desenvolvimento e emergentes, com destaque para o Brasil, Índia, China e África do Sul, que intensificam cada vez mais o diálogo político e o intercâmbio de ideias na área social. Com o objetivo de promover o debate sobre estratégias de redução da pobreza a partir das experiências dos demais países em desenvolvimento, o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) lançou a série “Ideias para Erradicar a Miséria”. O capítulo lançado hoje focaliza o Bolsa Família e apresenta avaliações sobre o programa e experiências em transferências de renda de outros países, como a Índia, Nicarágua e México.

A série consistirá em sete capítulos semanais, que abordarão diversas questões e enfoques sobre a temática da erradicação da pobreza, tais como conceitos de proteção social, diferentes abordagens sobre a gestão de programas de transferência de renda, inovações na geração de empregos e agricultura familiar. Cada capítulo trará um episódio do documentário “Uma Jornada pela Proteção Social no Brasil”, produzido em dezembro de 2010 no âmbito do Programa África-Brasil de Cooperação em Desenvolvimento Social, bem como publicações e materiais de referências do IPC-IG e de sua rede de parceiros. Para o Assessor de Comunicação do Centro, Francisco Filho, a série “busca tornar as iniciativas de outros países mais conhecidas no Brasil. Buscamos engajar a sociedade civil na discussão sobre políticas sociais; por isso, o lançamento em parceria com várias organizações da sociedade civil no país”.

O primeiro capítulo abordou o conceito de proteção social a partir de entrevistas com pesquisadores e conselheiros do IPC-IG e do IPEA e de artigos que discutem as recentes experiências da Índia, Zâmbia, Quênia e Indonésia. De acordo com Fábio Veras Soares, Coordenador de Proteção Social e Transferências de renda do IPC-IG, “o país só vai conseguir crescer de maneira inclusiva, mais homogênea e equânime, se, ao mesmo tempo em que cresce, conseguir distribuir os frutos do crescimento de uma maneira mais equitativa e se conseguir prioritariamente atender às populações mais pobres e marginalizadas”.

O Brasil, expoente entre as economias emergentes, figura entre as principais referências na área de proteção social, que busca aliar o desenvolvimento econômico à inclusão daqueles que ficaram de fora da distribuição dos frutos desse crescimento. Os resultados alcançados pelo país surpreendem a comunidade internacional. Entre 2003 e 2008, houve redução de 43,03% da pobreza no Brasil, que corresponde à saída de 19,3 milhões de pessoas da miséria ou pobreza extrema (renda per capita abaixo de R$ 137,00 a nível domiciliar). A desigualdade no país, conforme medida pelo coeficiente de Gini, caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2007. (Fonte: CPS/FGV e PNUD).

https://www.fao.org.br/

Agroecologia


capa.jpgA ciência busca unir conhecimentos científicos e humanos para obter uma agricultura plenamente sustentável / Foto: David Bradbeer
Agroecologia é uma ciência ou campo de conhecimentos de natureza multidisciplinar, cujos ensinamentos buscam contribuir com a construção de estilos de agricultura de base ecológica e com a elaboração de estratégias de desenvolvimento rural, tendo-se como referência os ideais da sustentabilidade numa perspectiva multidimensional. Ela é, portanto, uma proposta alternativa de agricultura familiar socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável.

A agroecologia não deve ser considerada algo isolado, e sim uma ciência integradora que agrega conhecimentos de outras ciências, além de agregar saberes populares e tradicionais provenientes das experiências de agricultores familiares de comunidades indígenas e rurais.
Na agroecologia a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade vegetal, mineral e animal, onde existem infinitas formas de relação entre estes e outros habitantes do planeta. Ela ainda engloba modernas ramificações e especializações, como agricultura biodinâmica, ecológica, natural, orgânica, os sistemas agro-florestais, permacultura, entre outros.

Segundo a pesquisadora Ivani Guterres, a abordagem agroecológica propõe mudanças profundas nos sistemas e nas formas de produção. “Na base dessa mudança está a filosofia de se produzir de acordo com as leis e as dinâmicas que regem os ecossistemas – uma produção com e não contra a natureza. Propõe, portanto, novas formas de apropriação dos recursos naturais que devem se materializar em estratégias e tecnologias condizentes com a filosofia-base", diz.

A agroecologia pode ser vista, portanto, como uma abordagem da agricultura que se baseia nas dinâmicas da natureza. Dentro delas se destaca a sucessão natural, a qual permite que se restaure a fertilidade do solo sem o uso de fertilizantes minerais e que se cultive sem uso de agrotóxicos.
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Algumas das metas da agroecologia / Imagem: UFV

União das ciências naturais e sociais

Uma das maiores inovações trazida pelos estudos agroecológicos é a junção harmônica de conceitos das ciências naturais com conceitos das ciências sociais. Tal junção permite o entendimento acerca da agroecologia como ciência, como movimento e como prática dedicada ao estudo das relações produtivas entre homem-natureza, visando sempre a sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.

Por isso o resgate de saberes de comunidades indígenas e camponesas tradicionais é essencial e está atrelado à formulação de saberes acadêmico-científicos, buscando a cooperação e a unidade desses diferentes conhecimento na construção da agroecologia.
Para a agrônoma Ana Primavesi, esse laço entre o saber tradicional e popular é essencial nesse campo. "Sempre que os manejos agrícolas são realizados conforme as características locais do ambiente, alterando-as o mínimo possível, o potencial natural dos solos é aproveitado. Por essa razão, a agroecologia depende muito da sabedoria de cada agricultor desenvolvida a partir de suas experiências e observações locais."

Todos esses fatores tem feito com que a agroecologia se tornasse peça chave na agricultura e no desenvolvimento sustentável. Tanto que o campo já ganhou apoio de organizações como a ONU, que apresentou um documento em março de 2011 onde afirma que a agroecologia é subestimada por muitos governos.

O relatório, intitulado Agroecology and the right to food, apresenta os resultados dos últimos cinco anos de pesquisa na área de práticas agroecológicas e defende o aumento da utilização da técnica, que tem tido êxito em diversos locais do mundo.

15/04/2011

MDA e França vão defender Agricultura Familiar no G20

Agricultura Familiar ganhará destaque no encontro agrícola em Paris.

Talentos do Brasil: moda da agricultura familiar é vendida em Mônaco

15/04/2011 02:20

Vestidos e blusas de artesãs do projeto Talentos do Brasil serão comercializados em uma loja de produtos ecológicos e da economia solidária em Mônaco, microestado situado ao Sul da França, a partir da próxima semana. São peças dos grupos Florestas, do Amazonas, e Lã Pura, do Rio Grande do Sul. A venda é fruto da negociação feita pelo Talentos durante a feira de moda Prêt-à-Porter, que aconteceu na cidade de Paris, em setembro de 2010.
O grupo Florestas trabalha com a fibra de juta, cipó ambé e cipó titica, sementes, sobras de madeira e de látex com detalhes coloridos em chita. Com esse material, 39 artesãs de duas comunidades às margens do Rio Madeira e outra da cidade de Manicoré, a 390 quilômetros de Manaus, fazem bolsas, chapéus, acessórios e roupas. Os homens colhem o látex para produzir borracha e as mulheres aproveitam a sobra em delicadas peças de artesanato.
O grupo Lã Pura é formado por artesãs de dois municípios da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul – São Borja e Uruguaiana. A matéria-prima é a lã de ovelhas e carneiros da raça crioula. A lã é tingida, fiada e transformada em xales, mantas, echarpes e vestuário. As artesãs gaúchas também usam crina de cavalo para a confecção de bijuterias e bolsas, com uma proposta que une o tradicional ao contemporâneo.
O projeto também começa a vender peças para a Inglaterra e já começou a negociar com Japão e Bélgica.
O Programa Talentos do Brasil
O Talentos do Brasil é desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e conta com as parcerias do Programa Texbrasil (ABIT e APEXbrasil) e com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e do Ministério do Turismo (MTur). O projeto é um importante instrumento de geração de trabalho e renda para artesãs da agricultura familiar por meio do fortalecimento do processo de gestão, promoção e comercialização dos grupos artesanais. Reúne cerca de duas mil artesãs e artesãos do meio rural de 12 estados brasileiros, organizados em 19 cooperativas que, juntas, integram a Cooperativa Nacional Marca Única – Cooperunica. O projeto possui um portfólio com mais de 1500 produtos.

http://www.mda.gov.br/portal/noticias/item?item_id=7478763

Preços altos dos alimentos são a maior ameaça aos pobres, afirma Banco Mundial


 milho foi o produto que mais contribuiu para a alta dos pre�s
Milho registrou a alta mais considerável nos preços/Foto: Francisco Porto-Portugal
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou na quinta-feira, 14 de abril, que os preços altos e voláteis dos alimentos são hoje "a maior ameaça aos pobres ao redor do mundo". Dados apresentados pela instituição financeira apontam que novos aumentos podem colocar milhões de pessoas em situação de pobreza extrema.
De acordo com Zoellick, os preços dos alimentos já estão 36% mais altos que há um ano e um novo aumento de 10% colocaria mais 10 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema (renda menor que US$ 1,25 por dia). Quando a projeção é de alta de 30%, o número de pessoas afetadas passaria a 34 milhões. Desde junho de 2010, 44 milhões de pessoas ingressaram na categoria de pobreza extrema, levando o número de indivíduos que se encontram nessa situação em todo o planeta para 1,2 bilhão.
"Mais pessoas podem se tornar pobres por causa dos preços altos e voláteis dos alimentos", alertou Zoellick, em Washington, onde será realizada a partir desta sexta-feira (15) a reunião de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo o Banco Mundial, as crises recentes em países árabes e muçulmanos do Norte da África e do Oriente Médio contribuíram para a alta nos preços internacionais dos combustíveis e acabaram tendo impacto também no aumento dos preços globais dos alimentos e na estabilidade das nações mais afetadas.
"Os preços dos alimentos não foram a causa das crises no Oriente Médio e no Norte da África, mas são um fator agravante", observou Zoellick, ao afirmar que a inflação dos preços dos alimentos chega a dois dígitos em países como o Egito e a Síria, palcos de revoltas populares recentes.
Entre os produtos que contribuíram para a alta dos preços estão o milho (aumento de 74% em um ano), trigo (69%), soja (36%) e açúcar (21%). Os preços do arroz, porém, permaneceram estáveis, segundo um relatório do Banco Mundial.
Outros fatores que influenciaram a alta recente dos alimentos são problemas climáticos em países exportadores, restrições a exportações em alguns mercados e baixos estoques globais. O Banco Mundial cita ainda entre os fatores que influenciaram a alta dos preços o aumento do uso de grãos para a produção de biocombustíveis.
Entre as medidas sugeridas para combater o problema está priorizar o uso de grãos para a alimentação, em detrimento de biocombustíveis, quando os preços dos alimentos excederem certos limites.
Segundo os estudos do banco, os países mais pobres são mais afetados pela inflação dos alimentos do que as nações de maior renda.
Outras medidas que poderiam reduzir esse impacto, diz o Banco Mundial, sugerem programas nutricionais e de assistência social para os mais pobres, remover restrições à exportação de grãos e melhorar a capacidade dos países de lidar com a volatilidade, por meio de instrumentos de mercado financeiro, melhores ferramentas de previsão do tempo e mais investimentos em agricultura.