Nutrição Sustentável


Nutrição Sustentável - Para uma saúde verdadeira

23/12/2010

A contribuição do Fundo Dema para uma Amazônia viva

12/08/2010


Desde 2004, a região oeste do Pará passou a receber uma contribuição a mais para frear o modelo predador e insustentável e colocar em seu lugar um desenvolvimento mais humano, sustentável, limpo e eficaz. Esta contribuição passou pela Fase Amazônia, mas logo se tornou patrimônio de um grande coletivo de pessoas, famílias e organizações que já vinham lutando por longo tempo para manter as condições de vida daquele território. Trata-se de Fundo Dema, fundo financeiro de apoio a projetos de desenvolvimento sustentável naquela região amazônica. Em julho, o Fundo Dema apresentou parte de sua experiência a representantes do Fundo Amazônia, que é também um fundo financeiro destinado a apoiar projetos de conservação do nosso bioma, e que poderá vir a fortalecer os projetos já apoiados pelo Fundo Dema. Na visita, conheceram alguns dos projetos que já apresentam um resultado concreto na construção de um desenvolvimento realmente sustentável na Amazônia.
Nunca é demais lembrar que o Fundo Dema tem este nome em memória de Ademir Federicci, cujo apelido era Dema, um militante sindical amazônico que morreu assassinado em 2001 por denunciar e se opor à destruição da Amazônia em suas mais variadas facetas. Esta lembrança serve para demarcar que apoiar um outro desenvolvimento para a região significa também construir a paz social num dos contextos de maior violência rural em todo o Brasil. O relato da visita dos representantes do Fundo Amazônia aos projetos apoiados pelo Fundo Dema são confirmadores desta visão.
Isto porque, segundo Letícia Tura, diretora da Fase que esteve presente nos dias de visita no oeste do Pará, “o Fundo Dema é um conjunto de pequenos projetos que, em rede, apresentam um grande resultado. É literalmente um trabalho de formiguinha que ganha escala em seu conjunto”. Sua declaração encontra eco numa descrição bastante breve de como se estrutura o funcionamento do Fundo Dema. São três as regiões do oeste do Pará onde projetos são apoiados por este fundo: a região da rodovia Transamazônica, a região da rodovia BR-163, e a região do Baixo Amazonas. Em cada uma delas, uma miríade de iniciativas demonstram, cada uma de um jeito particular, uma forma de produzir e dar vida digna às populações sem ofender o meio ambiente.
A visita do Fundo Amazônia se concentrou nas áreas do Baixo Amazonas e na BR-163. “No Baixo Amazonas, fomos à região do Lago Grande. Ali há um projeto extrativista  feito numa modalidade inovadora de projeto de assentamento. É uma área de regularização coletiva onde há várias famílias vivendo. Há muita pressão que vem da expansão da soja, por isso a conquista de um Projeto de Assentamento Extrativista foi muito importante. O Fundo Dema pôs um grande foco ali porque, uma vez que se conquista o projeto de assentamento, é preciso fortalecer a área. O fundo então trabalha na implementação de projetos produtivos sustentáveis e no fortalecimento das organizações locais”, afirma Letícia.
Ela prossegue o relato: “Em Lago Grande, as famílias trabalham sistemas agroflorestais em que cultivam espécies típicas da Amazônia. Muito forte ali é o cultivo de curauá, uma fibra natural que é utilizada em vários setores da economia. Açaí também tem sido muito usado pelos agricultores como forma de enriquecer seus Sistemas Agroflorestais (os chamados SAFs). A grande luta ali é fazer uma conversão do sistema produtivo de corte e queima para um sistema de valorização do extrativismo e da agroecologia. Neste sentido, visitamos experiências apoiadas pelo Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária e pelo Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, e ficamos muito satisfeitos. A gente viu SAFs de até dez anos, bem consolidados, e percebemos um grande adensamento de floresta, de biomassa, biodiversidade, de área verde. É como se fosse um reflorestamento, mas com a preocupação da segurança alimentar. Nas entrevistas com os moradores, as falas sempre vão na direção de articular a preservação ambiental com a segurança alimentar local”

Na região da BR-163, a realidade é bem diferente. Ali, os projetos apoiados encontram dificuldades muito mais severas. “Na BR-163 é outra Amazônia, a Amazônia das estradas. Ali há uma população migrante, pessoas do Brasil inteiro que vivenviam o avanço da fronteira agrícola e muito desmatamento. Com poucas organizações sociais, a entidade âncora dos projetos é o sindicato de Itaituba. No muncípio de Trairão, que é muito pobre e tem pouca infra-estrutura, visitamos a comunidade do Batata, onde há um projeto apoiado pelo Fundo Dema que enfoca o reflorestamento. Em áreas muito degradadas, foram plantadas essências florestais, como a andiroba, e frutas como o cacau e o açaí. Visitamos três ou quatro famílias e vimos todos bastante satisfeitos. Por exemplo, a gente encontrou uma área onde o morador está fazendo um esforço de reflorestamento com espécies frutíferas, mas o vizinho está fazendo uma derrubada para abrir pasto. O vizinho está foram do projeto apoiado pelo Fundo Dema, mas ambos chamam a área reflorestada de ar condicionado. Porque você está lá naquela poeira, naquele sol forte, e quando entra na área reflorestada é fresquinho, o ar melhora imediatamente”.
Estas experiências são um exemplo miúdo perto da quantidade de outras apoiadas pelo Fundo Dema na região oeste do Pará. Mas é muito útil conhecê-las porque representam o modelo que se quer implementar na Amazônia. Nada de desmate para abrir novos pastos, nada de queimadas para plantio de mais soja. É a vez de deixar as populações rurais da Amazônia traçarem naquele território um caminho de harmonia com o ambiente. Que não significa de modo algum uma opção pela pobreza, mas sim uma forma de crescer que seja mais justa com o meio e com as pessoas, pois desta forma são elas que recebem os principais frutos do desenvolvimento. A visita do Fundo Amazônia foi uma oportunidade para confirmar que este é um caminho possível e urgente. “A gente acha que o Fundo Dema pode dar maior capilaridade ao Fundo Amazônia, porque achamos que ele é uma experiência exemplar de financiamento do desenvolvimento, e uma experiência exemplar de justiça climática, uma forma de fazer justiça a comunidades que prestam um relevante serviço a todos nós”, conclui Letícia.

http://www.fase.org.br/

A contribuição do Fundo Dema para uma Amazônia viva

12/08/2010


Desde 2004, a região oeste do Pará passou a receber uma contribuição a mais para frear o modelo predador e insustentável e colocar em seu lugar um desenvolvimento mais humano, sustentável, limpo e eficaz. Esta contribuição passou pela Fase Amazônia, mas logo se tornou patrimônio de um grande coletivo de pessoas, famílias e organizações que já vinham lutando por longo tempo para manter as condições de vida daquele território. Trata-se de Fundo Dema, fundo financeiro de apoio a projetos de desenvolvimento sustentável naquela região amazônica. Em julho, o Fundo Dema apresentou parte de sua experiência a representantes do Fundo Amazônia, que é também um fundo financeiro destinado a apoiar projetos de conservação do nosso bioma, e que poderá vir a fortalecer os projetos já apoiados pelo Fundo Dema. Na visita, conheceram alguns dos projetos que já apresentam um resultado concreto na construção de um desenvolvimento realmente sustentável na Amazônia.
 
Nunca é demais lembrar que o Fundo Dema tem este nome em memória de Ademir Federicci, cujo apelido era Dema, um militante sindical amazônico que morreu assassinado em 2001 por denunciar e se opor à destruição da Amazônia em suas mais variadas facetas. Esta lembrança serve para demarcar que apoiar um outro desenvolvimento para a região significa também construir a paz social num dos contextos de maior violência rural em todo o Brasil. O relato da visita dos representantes do Fundo Amazônia aos projetos apoiados pelo Fundo Dema são confirmadores desta visão.
 
Isto porque, segundo Letícia Tura, diretora da Fase que esteve presente nos dias de visita no oeste do Pará, “o Fundo Dema é um conjunto de pequenos projetos que, em rede, apresentam um grande resultado. É literalmente um trabalho de formiguinha que ganha escala em seu conjunto”. Sua declaração encontra eco numa descrição bastante breve de como se estrutura o funcionamento do Fundo Dema. São três as regiões do oeste do Pará onde projetos são apoiados por este fundo: a região da rodovia Transamazônica, a região da rodovia BR-163, e a região do Baixo Amazonas. Em cada uma delas, uma miríade de iniciativas demonstram, cada uma de um jeito particular, uma forma de produzir e dar vida digna às populações sem ofender o meio ambiente.
 
A visita do Fundo Amazônia se concentrou nas áreas do Baixo Amazonas e na BR-163. “No Baixo Amazonas, fomos à região do Lago Grande. Ali há um projeto extrativista  feito numa modalidade inovadora de projeto de assentamento. É uma área de regularização coletiva onde há várias famílias vivendo. Há muita pressão que vem da expansão da soja, por isso a conquista de um Projeto de Assentamento Extrativista foi muito importante. O Fundo Dema pôs um grande foco ali porque, uma vez que se conquista o projeto de assentamento, é preciso fortalecer a área. O fundo então trabalha na implementação de projetos produtivos sustentáveis e no fortalecimento das organizações locais”, afirma Letícia.
 
Ela prossegue o relato: “Em Lago Grande, as famílias trabalham sistemas agroflorestais em que cultivam espécies típicas da Amazônia. Muito forte ali é o cultivo de curauá, uma fibra natural que é utilizada em vários setores da economia. Açaí também tem sido muito usado pelos agricultores como forma de enriquecer seus Sistemas Agroflorestais (os chamados SAFs). A grande luta ali é fazer uma conversão do sistema produtivo de corte e queima para um sistema de valorização do extrativismo e da agroecologia. Neste sentido, visitamos experiências apoiadas pelo Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária e pelo Sindicato de Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais de Santarém, e ficamos muito satisfeitos. A gente viu SAFs de até dez anos, bem consolidados, e percebemos um grande adensamento de floresta, de biomassa, biodiversidade, de área verde. É como se fosse um reflorestamento, mas com a preocupação da segurança alimentar. Nas entrevistas com os moradores, as falas sempre vão na direção de articular a preservação ambiental com a segurança alimentar local” 

Na região da BR-163, a realidade é bem diferente. Ali, os projetos apoiados encontram dificuldades muito mais severas. “Na BR-163 é outra Amazônia, a Amazônia das estradas. Ali há uma população migrante, pessoas do Brasil inteiro que vivenviam o avanço da fronteira agrícola e muito desmatamento. Com poucas organizações sociais, a entidade âncora dos projetos é o sindicato de Itaituba. No muncípio de Trairão, que é muito pobre e tem pouca infra-estrutura, visitamos a comunidade do Batata, onde há um projeto apoiado pelo Fundo Dema que enfoca o reflorestamento. Em áreas muito degradadas, foram plantadas essências florestais, como a andiroba, e frutas como o cacau e o açaí. Visitamos três ou quatro famílias e vimos todos bastante satisfeitos. Por exemplo, a gente encontrou uma área onde o morador está fazendo um esforço de reflorestamento com espécies frutíferas, mas o vizinho está fazendo uma derrubada para abrir pasto. O vizinho está foram do projeto apoiado pelo Fundo Dema, mas ambos chamam a área reflorestada de ar condicionado. Porque você está lá naquela poeira, naquele sol forte, e quando entra na área reflorestada é fresquinho, o ar melhora imediatamente”.
 
Estas experiências são um exemplo miúdo perto da quantidade de outras apoiadas pelo Fundo Dema na região oeste do Pará. Mas é muito útil conhecê-las porque representam o modelo que se quer implementar na Amazônia. Nada de desmate para abrir novos pastos, nada de queimadas para plantio de mais soja. É a vez de deixar as populações rurais da Amazônia traçarem naquele território um caminho de harmonia com o ambiente. Que não significa de modo algum uma opção pela pobreza, mas sim uma forma de crescer que seja mais justa com o meio e com as pessoas, pois desta forma são elas que recebem os principais frutos do desenvolvimento. A visita do Fundo Amazônia foi uma oportunidade para confirmar que este é um caminho possível e urgente. “A gente acha que o Fundo Dema pode dar maior capilaridade ao Fundo Amazônia, porque achamos que ele é uma experiência exemplar de financiamento do desenvolvimento, e uma experiência exemplar de justiça climática, uma forma de fazer justiça a comunidades que prestam um relevante serviço a todos nós”, conclui Letícia.

10/12/2010

Bayer vai às compras

7, dezembro, 2010

De olho no potencial veterinário do Hemisfério Sul, a Bayer anunciou ontem a compra da Bomac, empresa da Nova Zelândia. A companhia tem uma linha de 290 produtos e atua no segmento de animais de produção (aves, bovinos e suínos), equinos e também com animais de companhia. Além de abastecer o mercado doméstico da Nova Zelândia, a Bomac também está presente em mais de 60 países. Em nota, a Bayer não informou qual foi o valor da operação.
http://www.pratoslimpos.org.br/

The water in your food

When you last went to the shop did your water footprint cross your mind?
It’s not surprising if it didn’t. There isn’t currently an indicator on a product that tells you what to buy based on the water content of a product. That doesn’t mean that there isn’t a problem. Water access is increasingly seen as a risk factor for business operations and lots of work takes place behind the scenes to address this issue. An increasing number of corporations are starting to investigate the water footprint of their entire production process.

Looking solely at the footprint however doesn’t take the whole story into account. If a tomato is grown where water is abundant, it could be less relevant if it uses a lot of water than when grown in a dry area. In such a case water might be diverted away from other users, no matter how efficient the usage is. This is particularly relevant in poor countries where water regulation can be weak and poor communities often have little influence on local politics.
For example most asparagus are imported into the UK from a desert area in Peru. Constant sun and lack of rain mean that asparagus can be grown year round, with the help of sophisticated groundwater drip irrigation systems. Supported by international investment, the asparagus industry has exploded in the last ten years, bringing increased scrutiny of the production processes in terms of a number of different standards and certification schemes with regard to the international market.
Yet, as a recent report by Progressio reveals, the aquifer is draining at an alarming rate, threatening the viability of the whole area. Local communities’ access to drinking water is highly restricted; many with access for only a few hours a day or per week. Small and medium scale farmers are struggling to afford digging deeper wells, relying on water diverted from the Andean mountains above. Some of the poorest people in Peru inhabit these mountains, mostly alpaca herders. They say that the diversion of water is damaging their eco system, making alpaca farming increasingly difficult. To add to their burden, the impact of climate change is already adding to their vulnerability.



So, what is the answer? Stronger regulation and closer involvement of poor communities to ensure everyone’s viewpoint is properly represented is part of the solution. As buyers of asparagus or other products with a high water impact, consumers also have a role and responsibility. Certification and other standards have increased transparency and now the same thing needs to happen with water.
The Alliance for Water Stewardship seeks to develop global water standards. These will serve to provide guidance for managing and using water in a way that enables social and economic development while ensuring environmental sustainability, complemented with a certification process. This effort needs to be supported and many key stakeholders are already onboard.  
It’s not easy, but it is essential. Without a clear direction on what the water related impact of different products is, consumers won’t be able to make informed decisions. More importantly, poor communities around the world continue to risk seeing their precious water resources diverted away, all for the pleasure of our consumption.  
Petra Kjell - is the Environment Policy and Advocacy Officer at Progressio. She holds a BSc in Social Science from University of Stockholm, and an MSc in Development Studies from SOAS, University of London. Much of her current work is focused on water from a poverty perspective, where one strand of her work is on water and climate change and the other strand on virtual water and water footprints. She also co-Chair's Bond's UK Water Network, which links UK International NGOs working on freshwater related issues.
Progressio is an international charity that enables poor communities to solve their own problems through support from skilled workers, and lobbies decision-makers to change policies that keep people poor. See www.progressio.org.uk for further info.
The content of this guest blog represents the view of the author and is not necessarily reflective of the views of Fairfood International.

Fair Supermarket labels

06-December-2010
Fairfood has launched the
Fair Supermarkets campaign in collaboration with the Dutch political party ChristianUnion (ChristenUnie) and Stop the Traffik. The website is intended to motivate the cabinet to start talks with Dutch supermarket chains. The aim of the campaign is that all Dutch supermarkets will only carry sustainable products under their home brand labels by 2015.

On Monday 6 December, ChristianUnion Member of Parliament Joël Voordewind presented Parliamentary State Secretary of Development Aid Ben Knapen with a shopping trolley full of sustainable products from supermarkets, in order to emphasize the lack of sustainable home brand products among these. Following up on this, Knapen committed himself to collaborate with the supermarkets to make a full range of sustainable home brand products available by 2015. Now that politicians have embraced this proposal, it is up to the supermarkets to take further action. Fairfood will stay involved to make sure that the stated goal is indeed reached.

The Dutch Organisation for Agriculture and Horticulture (LTO) will also support the Fair Supermarkets initiative, if this will lead to an improvement of farmers’ incomes. Click
here for the LTO Netherlands’ reaction in full.

24/11/2010

Entrevista revela por que devemos dizer não a agrotóxicos e transgênicos

Denis Monteiro, secretário executivo da Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), concedeu recentemente uma entrevista à revista belga Politique. A ANA reúne movimentos, redes e organizações engajadas em experiências concretas de promoção da agroecologia, de fortalecimento da produção familiar e de construção de alternativas sustentáveis de desenvolvimento rural. Engenheiro agrônomo e agroecólogo, Denis apresenta dados alarmantes sobre o consumo de agrotóxicos no Brasil e sobre as ameaças à saúde e à segurança alimentar que os transgênicos representam.

Entrevista revela por que devemos dizer não a agrotóxicos e transgênicos
Agricultores em defesa da agrobiodiversidade e contra transgênicos

Segundo ele, os grandes meios de comunicação não divulgam esse tipo de informação por terem interesses comuns aos das grandes corporações que produzem agrotóxicos e sementes transgênicas. Entretanto, ressalta a importância das mídias independentes na disseminação de informações para uma parcela cada vez mais ampla da população.
Nessa cadeia perversa de produção, os trabalhadores rurais são os mais afetados por estarem em contato direto com agrotóxicos ou por perderem seu patrimônio genético em função dos cultivos transgênicos que contaminam mesmo aquelas lavouras em que o agricultor optou por utilizar apenas sementes crioulas.
Denis também aponta para o fato de que historicamente o Estado brasileiro sempre apoiou esse modelo de “agricultura da morte”, em prol das monoculturas, do uso dos agrotóxicos e transgênicos.
Felizmente, como aponta Monteiro, temos assistido também ao surgimento de um movimento de resistência, cuja tendência é que sensibilize e mobilize os mais diversos setores da sociedade, uma vez que ninguém pode ser a favor da contaminação de alimentos e dos cursos de água e da dependência ao mercado externo.
O movimento da Agroecologia tem sido um forte aliado, ao defender a valorização de uma agricultura familiar sustentável, diversificada, que produza em harmonia com a natureza, que não dependa de insumos externos para produzir e que receba incentivos governamentais para fornecer seus alimentos saudáveis a consumidores diretos e a creches, escolas e hospitais.
A seguir, leia a entrevista na íntegra.

A população carente urbana tem consciência dos danos causados pelo uso exagerado de agrotóxico?
Acho que, no Brasil, o povo pobre das cidades tem uma noção geral de que os agrotóxicos fazem mal à saúde, mas ainda há muito a avançar na garantia do direito à informação das pessoas. É claro que as grandes corporações da grande mídia não têm interesse em informar sobre os problemas causados pelos agrotóxicos, uma vez que isso iria contra ao projeto de avanço das monoculturas e do uso de transgênicos e agrotóxicos impulsionado pelas multinacionais, aliadas desses grandes grupos de comunicação que monopolizam a informação.
Mas penso que a mobilização da sociedade tem feito com que as informações independentes comecem a surgir, mostrando as conexões entre o uso de agrotóxicos e o surgimento de diversos tipos de câncer, por exemplo. É assustador o crescimento de casos de câncer no Brasil nos últimos anos. Isso tem relação óbvia e direta com o aumento do uso de agrotóxicos. É um drama de saúde pública e sobre o qual se fala muito pouco. O Brasil foi, pelo segundo ano consecutivo, campeão mundial de uso de agrotóxicos. Usamos mais de 700 mil toneladas de veneno por ano, mais de 3,6 litros de veneno por cada habitante. Isso vai parar nas águas, nos rios e nos estômagos de quem consome esses alimentos, não só no Brasil, como em todo o mundo. Um verdadeiro absurdo! E, infelizmente, esse modelo de agricultura da morte sempre teve o apoio do Estado brasileiro.
E acho que, nas cidades brasileiras, muitas pessoas que hoje estão nas periferias se solidarizam com o drama dos trabalhadores rurais que têm que lidar com agrotóxicos. Nesses casos, os impactos à saúde são mais graves e dramáticos: casos de depressão que levam a suicídios, a tudo quanto é tipo de câncer, má formação fetal, dores de cabeça, alergias, dores no corpo. O povo da cidade se solidariza, pois seus pais vieram do campo, há uma memória ainda viva.
Penso também que as pessoas na cidade, sejam elas ricas ou pobres, sabem que é muito melhor consumir alimentos produzidos sem agrotóxicos. Tanto é que, sempre que têm oportunidade, dão preferência e grande valor a esses alimentos, seja quando produzem lá em seu quintal uma verdura ou uma fruta; seja quando compram diretamente de um agricultor lá na periferia, ou numa feira, ou mesmo no mercado; seja quando esses produtos chegam à alimentação escolar ou por meio de programas de segurança alimentar, agora que há programas públicos de incentivo. Mas uma alimentação saudável ainda é uma realidade muito distante para a maioria das pessoas no Brasil.

A população carente urbana tem consciência dos danos causados ao meio ambiente e à saúde pelos Organismos Geneticamente Modificados (OGM)?
A população já foi mais bem informada, tanto é que o índice de rejeição aos transgênicos é grande no Brasil. Mas as multinacionais e seus enviados no aparato do Estado perceberam que isso era um risco para os seus negócios e procuram de toda forma omitir informações. Mas, novamente, penso que os meios independentes de comunicação têm cumprido um papel importante de informar o povo. A luta pela garantia da rotulagem de produtos transgênicos é fundamental, pois aí a população urbana vai poder exercer seu direito de ter uma alimentação livre de transgênicos. Tanto é assim que toda hora as multinacionais querem derrubar a lei que obriga a rotulagem no Brasil. Sobre os impactos ambientais dos transgênicos, as informações começam a chegar para um público mais amplo, mostrando que os transgênicos aumentam, e muito, o uso de agrotóxicos e que contaminam as sementes locais cuidadas há anos pelos agricultores. Mas é claro que há muito a avançar nesse campo da informação. Acho que esses assuntos deveriam estar no currículo da educação básica no Brasil e que a questão ambiental não deve ser reduzida a reciclar o lixo e a fechar bem as torneiras. Isso infelizmente ainda não é realidade.

Qual tem sido o trabalho desenvolvido para a conscientização e sensibilização da população de um modo em geral em relação à alimentação?
Sou otimista nessa questão. Minha impressão é que há um conjunto de iniciativas contra-hegemônicas nesse campo, verdadeiramente revolucionárias. É claro que esse movimento todo está na contracorrente das propagandas das multinacionais e de seus aliados na grande imprensa, mas representam uma esperança. Uma rápida pesquisa na internet leva a um universo de blogs que falam de alimentação saudável, dão receitas, alguns entram na questão dos agrotóxicos e dos transgênicos, explicam o que são e os seus impactos na saúde. No Brasil, existe um movimento muito rico que é o movimento em prol da segurança alimentar e nutricional.
Desse movimento, fazem parte muitas pessoas, nutricionistas, agricultores, consumidores, agentes de pastoral, professores, médicos, agrônomos, entre outros, que têm se organizado para colocar na agenda pública a questão da alimentação saudável. Enfrentando as multinacionais das papinhas de bebê e defendendo o aleitamento materno; criticando o fast food e propondo uma alimentação colorida, com frutas, legumes e verduras; multiplicando cursos e oficinas de culinária saudável Brasil afora; defendendo as feiras livres, que são espaços de fartura, diversidade, valorização da cultura alimentar; propondo e pressionado o Estado para que promova políticas públicas de promoção da alimentação saudável.
Esse movimento tem muitas conquistas e estabeleceu uma aliança estratégica com o movimento em prol da Agroecologia, que defende as mesmas causas, dizendo que uma alimentação de qualidade só vai ser possível se valorizarmos a agricultura familiar de cada local, se aproximarmos a produção do consumo de alimentos, através de feiras, de mercados locais, de compras públicas, se o Estado criar políticas públicas de incentivo à Agroecologia e à comercialização local de alimentos.

Será difícil lutar pela qualidade da alimentação quando ainda a quantidade é um problema?
Não, a luta é a mesma, é por uma alimentação saudável, as duas questões são inseparáveis. O mesmo modelo de desenvolvimento que gera escassez para a maioria da população gera uma alimentação de péssima qualidade também para a maioria da população. Alimentos contaminados com agrotóxicos e transgênicos, de baixo valor nutricional porque são produzidos com adubos químicos e venenos em solos sem vida. Tem muita gente com muito dinheiro no bolso que está subnutrido, embora obeso, por falta de informação adequada e pela força da propaganda das multinacionais. Garantir uma alimentação em quantidade suficiente para todos, e de boa qualidade, passa por buscar revitalizar a agricultura familiar, com base nos princípios da Agroecologia. Só assim poderemos salvar o mundo da fome, hoje e no futuro. Temos mais de um bilhão de pessoas passando fome no mundo, e a maioria está no campo ou foi expulsa do campo recentemente pelo avanço das monoculturas e dos agrotóxicos. E muitas das pessoas que têm acesso a uma quantidade suficiente de alimentos se alimentam muito mal. Se mantivermos esse modelo agrícola dependente do petróleo, que vai acabar, tanto para produzir quanto para transportar esses alimentos, se não promovermos uma agricultura familiar diversificada, que produz com os recursos de cada localidade, em harmonia com a natureza, só vamos perpetuar essa situação de fome e de má-nutrição.

Você sabe quais são as ligações concretas que existem entre o MST e as comunidades carentes urbanas para uma agricultura sustentável?
Há muitas experiências interessantes de promoção de uma agricultura sustentável, agroecológica, espalhadas no país. Muitas delas se reúnem na Articulação Nacional de Agroecologia (ANA), da qual o MST faz parte. Conheci muitos assentamentos do MST e vi que as principais conquistas são a capacidade de fazer com que um território que estava entregue ao latifúndio, degradado pela monocultura e pela fome de lucro, agora produzisse alimento, fartura, tanto para as famílias agricultoras, que passam a viver e a cuidar daquele território, quanto para os consumidores urbanos. Aliás, muitas famílias que estão hoje vivendo com dignidade nos assentamentos estavam passando fome nas periferias das grandes, médias e pequenas cidades, e o MST foi decisivo para que esse povo se organizasse para lutar pelos seus direitos. Visitei assentamentos em São Paulo nos quais parte das famílias é formada por pessoas que moravam na rua e catavam lixo para sobreviver e que agora tiveram sua dignidade resgatada.

Doação

Se você for cadastrado no site www.nfp.fazenda.sp.gov.br/:
  • Você pode doar os créditos das notas fiscais com seu CPF/CNPJ ou
  • Registrar o cupom fiscal sem CPF em benefício do Banco de Alimentos Associação Civil - CNPJ 02.736.449/0001-48
Se você não quiser se cadastrar:
  • Pode enviar as Notas Fiscais sem CPF/CNPJ de suas compras do mês até o dia 10 do mês seguinte para a ONG Banco de Alimentos.
Para onde enviar: Entre em contato

23/11/2010

Pense!

Os humanos têm um imenso impacto na Terra. Há tantos de nós, e cada indivíduo usa tanta energia e tantos recursos, que nossas atividades influenciam virtualmente tudo na Natureza. A maior parte da superfície terrestre e, crescentemente, dos oceanos, tem passado ao controle direto da humanidade. Virtualmente todas as áreas com latitudes temperadas que são adequadas para agricultura foram colocadas sob o arado ou cercadas. Em todo o mundo, completos 35% da área terrestre são usados para plantações ou pastos permanentes; incontáveis hectares adicionais são pastados por criações. As florestas tropicais estão sendo derrubadas a uma taxa alarmante de 17 milhões de hectares por ano (quase 2% das florestas primárias remanescentes). As regiões subtropicais semi-áridas, particularmente da África subsaariana, foram transformadas em desertos pela sobrepastagem e coleta de madeira para fogo. Os rios e os lagos estão pessimamente poluídos em muitas partes do mundo. Nossa atmosfera exala gases produzidos pelas indústrias químicas e pela queima de combustíveis fósseis.
            Estamos sujando nosso ninho, e ainda estamos correndo para explorar muito do que resta para ser tirado. Se não interrompida, esta deterioração ambiental levará a um  declínio da qualidade de vida para todos os habitantes humanos da Terra, como já aconteceu para muitos. Os animais e as plantas com os quais compartilhamos este planeta, e dos quais dependemos para muitos tipos de sustento, estão sentindo o impacto da população humana ainda mais. Eles têm sido expulsos conforme tomamos terras e águas para nosso espaço de vida e para produção de nossos alimentos. Envenenamos seus ambientes com nossos dejetos. Espécies inteiras têm sucumbido à destruiç~são de habitats, à caça e as outras formas de perseguição.
            Esta deterioração não precisa continuar. Os humanos podem viver num mundo limpo e sustentável, mas somente dando suporte para que nossa própria população entre em equilíbrio com a preservação de outras espécies e com os processos ecológicos que nos nutrem. A legislação em muitos países tem conduzido a um ar e água mais limpos, a um uso mais eficiente da energia e dos recursos materiais e a um resgate de espécies ameaçadas de um declínio adicional.

Trecho retirado do livro: Ricklefs, R.A economia da natureza. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2003.

Se em 2003 já se falava assim do meio ambiente, imagine agora.
Vamos estimular o movimento agroecológico, os pequenos agricultores, defensores da terra e dos seres que ela habita.
Vamos lutar contra a agricultura convencional que tanto suja, gera desemprego, faz mal à saúde e deteriora a natureza.
Vamos poupar os seres polinizadores que nada tem a ver com os venenos dos cultivos.
Precisamos combater este mal ou vamos esperar acontecer a “Primavera silenciosa”, como Rachel Carson advertiu há anos, quando nenhum pássaro restaria para cantar!!!???

18/11/2010

Programa reduz pobreza com preservação


Induzir pesquisas que melhorem a compreensão sobre como funcionam os ecossistemas, os serviços que eles fornecem, seu valor e o papel potencial desses serviços na contribuição da redução da pobreza.
Esse é o objetivo do programa Ecosystems Services for Poverty Alleviation (ESPA) – Serviços dos Ecossistemas para a Redução de Pobreza – conduzido pelo National Environment Research Council (NERC), pelo Economic & Social Research Council (ESRC) e pelo Department for International Development (DfID), do governo britânico.

O programa multidisciplinar dispõe de 40,5 milhões de libras (cerca de R$ 110 milhões) para apoiar pesquisas, de 2009 a 2016, segundo informou o diretor do programa ESPA, Paul van Gardingen, em encontro com cientistas do Estado de São Paulo ocorrido na sede da FAPESP.
“O objetivo do ESPA é garantir que, em países em desenvolvimento, ecossistemas sejam administrados sustentavelmente de maneiras que contribuam com a redução da pobreza e com o crescimento inclusivo e sustentável”, disse Gardingen.
Para tanto, o programa apoiará pesquisas que forneçam evidências e ferramentas aos tomadores de decisão e aos usuários finais que possibilitem gerenciar a sustentabilidade dos serviços ecossistêmicos.
O diretor do ESPA está no Brasil para divulgar o programa junto à comunidade acadêmica do país. Cientistas de outros países, entre os quais o Brasil, podem enviar propostas ao programa.
“O programa tem como foco prioritário quatro regiões que experimentam mudanças significativas na administração de seus serviços ecossistêmicos no contexto da redução da pobreza e do crescimento sustentável: Amazônia, China, Sudeste Asiático e África Subsaariana. O ESPA está focado nas pessoas e em suas relações com os serviços ecossistêmicos”, disse Gardingen.
Interessados têm até o dia 8 de dezembro para preencher o formulário de interesse em participar da chamada atual e até o dia 19 de janeiro de 2011 para encaminhar as propostas completas. A chamada atual tem orçamento de 16 milhões de libras (cerca de R$ 43,8 milhões).
Os auxílios poderão ter entre três e cinco anos de duração, com o valor total do projeto de pesquisa entre 500 mil e 4 milhões de libras.
“É importante que os interessados em apresentar propostas entrem no site do ESPA e verifiquem quais são os projetos já apoiados pelo programa”, disse Gardingen. [Info]

http://blog.eco4planet.com/2010/11/programa-reduz-pobreza-com-preservacao/

17/11/2010

O chocolate do mundo pode acabar

Num futuro não tão distante assim, o chocolate poderá ter se tornado um item tão caro, mas tão caro, que seu preço será comparável ao do caviar.
E não estamos falando de chocolates finos. As marcas populares que hoje povoam o supermercado, o doce básico que permeia 50% das sobremesas, o pó que você adiciona ao leite pela manhã: em 20 anos, todos eles podem deixar de existir.
Ou, pior: vão continuar existindo mas serão inacessíveis à maioria da população.

A história foi publicada em uma matéria incrível no The Independent que abre os olhos para a necessidade de investirmos mais em agricultura sustentável.
O artigo mostra como uma combinação de fatores – o aquecimento global, a exploração do trabalho, o mau uso da terra e o aumento do consumo – estão levando a produção do cacau (a matéria prima do chocolate) a um limite preocupante.
Isso não é uma teoria da conspiração (eu não brincaria com algo tão sério como chocolate ;) ). A Terra tem recursos finitos e o destino da indústria cacaueira é apenas um bom (e chamativo) exemplo de que é preciso mudar. E não apenas mudar para que o chocolate não acabe. Pequenos fazendeiros precisam de incentivos para continuar produzindo alimentos em um mundo cada vez mais disposto a pagar alto pelos biocombustíveis.
Alguns dados interessantes da matéria:
- Um dos principais pólos produtores do mundo, o oeste da África vê seus fazendeiros abandonarem os campos em busca de um negócio mais vantajoso. E sabe por que? Simplesmente porque não há mais vantagem na produção. Recebendo 80 centavos de libra ao dia dos grandes conglomerados fabricantes, qual é o incentivo para não só continuar trabalhando como ainda replantar as árvores que morreram e esperar de 3 a 5 anos para que elas cresçam?
- A Costa do Marfim, o maior produtor mundial de cacau, já sofre com a carência de fazendeiros e a saída dos jovens do campo rumo ás grandes cidades. Já na Indonésia, o 3º maior produtor do mundo, o problema são as mudanças climáticas, que diminuem a produção e elevam o preço.
- Caso os produtores africanos abandonem o plantio do cacau, a América do Sul, o Caribe e a Ásia podem não satisfazer a demanda crescente por chocolate de grandes mercados em ascensão, como a China e a Índia.
- Embora seja um grave problema, o empobrecimento da terra (fruto de anos seguidos de uma mesma planta sendo cultivada) poderia ser resolvido com acréscimo de nutrientes e políticas adequadas de rodízio na plantação. O maior desafio é competir com outras lavouras mais rentáveis (como palmeiras) que cada vez mais são usadas em biocombustíveis.
As boas notícias (ou as menos piores):
- Entidades vêm se unindo para fornecer condições mais justas de trabalho e, claro, incentivos para as novas gerações. Por exemplo, em Gana, o 2º maior produtor mundial de cacau, existem muitas cooperativas de trabalhadores que conseguem aumentar seus lucros.
- A Nestlé tem um projeto que pretende replantar 10 milhões de árvores para seus fornecedores na próxima década. No futuro,a ideia é apenas comprar cacau desses fazendeiro certificados.
- Segundo os especialistas, a indústria do chocolate está bem à frente de outras (como a do café), na implementação de uma cadeia de produção sustentável.
http://blog.eco4planet.com/2010/11/o-chocolate-do-mundo-pode-acabar/

Egito reaproveita água para transformar desertos em florestas

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Egito tem mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantadas até agora/Foto:Gilderic

Para onde vai a água utilizada todos os dias pelos cerca de 80 milhões de egípcios? Atualmente, o governo do país conhecido em razão das famosas pirâmides, reaproveita o recurso natural para regar áreas desérticas no intuito de convertê-las em florestas, segundo informações da Agência EFE.
A intervenção humana já provoca uma diferença significativa na paisagem egípcia, pois onde antes havia uma paisagem desértica e inóspita, agora há áreas verdes cobertas de árvores de alto valor econômico como álamos, papiros e eucaliptos. São as chamadas “florestas feitas à mão”.

“A água residual pode transformar o que não é fértil, como o deserto, em algo fértil, já que contém nitrogênio, micronutrientes e substâncias orgânicas ricas para a terra”, explicou à EFE o professor do Instituto de Pesquisa de Solo, Água e Ambiente Nabil Kandil, especializado na análise de terrenos desérticos adequados para o florestamento.
Opinião semelhante tem o professor do Departamento de Pesquisa de Contaminação da Água, Hamdy el Awady, que ressalta uma suposta superioridade das plantas regadas com água reaproveitada. “Esse tipo de água tem muito mais nutrientes do que a água tratada e, por isso, é uma fonte extra de nutrição que pode fazer com que as plantas resistentes aos climas hostis cresçam mais rápido e, inclusive, tenham folhas mais verdes”, argumentou.

Processo de “construção de florestas”

Atualmente, o Egito produz 7 milhões de metros cúbicos de água residual ao ano. Ao mesmo tempo, o país tem 95% do território coberto por desertos estéreis ou com pouca vegetação. Há 34 florestas em solo egípcio, localizadas em cidades como Ismailia e Sinai, no Norte, e em regiões turísticas do Sul, como Luxor e Assuã, em um total de 71,4 mil quilômetros quadrados (área equivalente à superfície total do Panamá).
De acordo com o governo egípcio, há outras dez florestas em processo de “construção”, em uma área de 18,6 mil quilômetros quadrados. Os mais de 71 mil quilômetros quadrados de floresta plantadas até agora são resultado das análises de solo, clima e água que possibilitaram a escolha das espécies de árvores capazes de sobreviver em condições extremas.
Para Kandil, os resultados positivos da experiência são a prova de que o problema no país não é a terra, que no Egito tem de sobra, mas de onde extrair a água. Obtê-la das estações de tratamento primário, onde são eliminados os poluentes sólidos, foi a saída mais barata, especialmente porque os sistemas de irrigação que transportam e bombeiam o líquido são os mesmos utilizados há anos pelos camponeses egípcios.
Apesar desta água exigir precaução devido à presença de poluentes, além do fato de que os impactos da mudança no ecossistema para a biodiversidade ainda são desconhecidos, o projeto implementado pelo Ministério de Agricultura em parceria com o de Ambiente demonstra sucesso.
De acordo com Kandil, as “florestas feitas à mão” não só combatem as secas, a desertificação e a erosão. “[Elas] aproveitam a água residual, maximizam o benefício para os agricultores e satisfazem as necessidades de madeira do Egito, gerando benefícios econômicos para o país”, acrescentou o especialista. [EcoD]
http://blog.eco4planet.com/2010/11/egito-reaproveita-agua-para-transformar-desertos-em-florestas/

Será que esta técnica trará malefícios para o meio ambiente ou somente benefício para o homem capitalista? (por Nathalia Bailoni)

16/11/2010

Brasil e China pesquisam alimento modificado

Plantação de soja

Os governos do Brasil e da China firmaram para desenvolver pesquisas em organismos geneticamente modificados, de modo a possibilitar ganhos de produtividade agrícola nos dois países. A informação foi dada pelo ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Wagner Rossi, depois de se reunir com o ministro chinês da Agricultura, Han Changfu.
Wagner Rossi disse que o trabalho de pesquisa ficará a cargo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e da Academia de Ciências Agrícolas da China. Ele não citou números, mas salientou que a parceria sino-brasileira visa também à ampliação de investimentos no comércio bilateral de produtos de origem agropecuária.

Como os dois países têm forte potencial agrícola, o ministro afirmou que “existem muitos pontos de convergência nos dois sentidos”. Como a China já é o principal protagonista do comércio exterior brasileiro, “existem nichos de interesse da atividade privada que podem render muito mais ainda”, disse o ministro.
Um exemplo, segundo ele, são os acordos que o governo de Goiás negocia com entidades chinesas para relações comerciais específicas em torno de diferentes produtos, principalmente a soja. O potencial de produção goiana de soja é de 18 milhões de toneladas por ano e, apesar de o produto ser originário do país asiático, a China é o maior importador mundial da leguminosa.
Segundo Rossi, os chineses demonstraram interesse em intensificar o intercâmbio de informações, com destaque em biotecnologia e agroenergia, por reconhecerem a excelência das pesquisas da Embrapa. Eles também acreditam que quem desenvolve produtos geneticamente modificados tem mais poder no comércio internacional do agronegócio, e Brasil e China lideram as pesquisas mundiais nessa área, acrescentou.
Perguntado se a valorização do real ante o dólar não atrapalharia a cooperação bilateral, o ministro disse que a questão não foi levantada no encontro dos dois ministros. Ressaltou, porém, que, apesar das deficiências brasileiras de infraestrutura que tornam as exportações menos competitivas, o Brasil tem batido recordes seguidos nas vendas externas de soja, carnes e outros alimentos.
Mas o ministro aponta outros problemas. “O Brasil é o grande fornecedor mundial de proteína animal e vegetal porque o produtor brasileiro é resistente e temos que apoiar essa agricultura pujante com base em um seguro rural que garanta renda ao produtor”. Ele enfatizou que o preço mínimo de produção, que vigora atualmente, “não remunera nem garante a atividade”. [Info]
http://blog.eco4planet.com/2010/11/brasil-e-china-pesquisam-alimento-modificado/

11/11/2010

Derrota na Câmara faz Obama abandonar plano de limitação de emissões

presidente obama esperava contar com a maioria para aprovar pacote clim�ico
Presidente norte-americano esperava ter maioria na Câmara para aprovar reformas/Foto:nasa hw photo

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou que vai buscar formas de evitar o aquecimento global que não envolvam impor limites às emissões de dióxido de carbono (CO2). Durante entrevista coletiva na Casa Branca, ele acrescentou que a proposta conhecida como cap and trade (limitação e comércio) poderia trazer prejuízo econômico ao país.
A proposta impunha limites e oferecia incentivos econômicos para a redução das emissões de usinas de eletricidade, carros e outras fontes. Então controlada pelo Partido Democrata, a Câmara dos EUA havia aprovado uma lei de cap and trade em 2009, mas muitos democratas do Senado se uniram à oposição republicana para bloquear avanços, o que incidiu diretamente no fracasso da 15ª Conferência das Partes das Nações Unidas sobre o Clima (COP15), uma vez que os países cobram mais comprometimento da Casa Branca.

Os republicanos apelidaram a proposta de cap and tax (limitação e impostos) porque ela elevaria o preço da energia. “Está muito claro que o povo americano quer que façamos alguma coisa sobre o corte de gastos aqui em Washington e ajudemos a criar um ambiente em que consigamos os empregos de volta”, destacou o líder da bancada oposicionista na Câmara, John Boehner.
Ao conquistarem pelo menos 60 cadeiras extras nas eleições de terça-feira (2), os republicanos terão uma maioria sólida na Câmara em 2011 – a previsão é de que Boehner assumirá a presidência. Em um contexto no qual o déficit orçamentário do último ano alcança US$ 1,19 trilhão, o equivalente a 8,9% do Produto Interno Bruto (PIB) dos EUA, os eleitores clamaram por um governo possivelmente menos custoso.
Boa parte dos analistas em política internacional consideram que o sucesso dos republicanos nas urnas pode ser atribuído as promessas de controlar os gastos do governo. Na votação para o Senado, os republicanos conseguiram tomar pelo menos 6 vagas que antes pertenciam a democratas, mas não conseguiram ter maioria. O Partido Democrata continuará com pelo menos 51 dos 100 assentos disponíveis.

Sem plano de emissões, acordo na COP16 fica praticamente impossível

A inviabilidade de aprovação dos pacotes ambiental e energético no congresso norte-americano praticamente sepulta as já escassas chances de um acordo com peso de lei internacional na COP16, que será realizada de 29 de novembro a 10 de dezembro em Cancún, no México.
Com o impasse dos Estados Unidos, maior poluidor mundial entre os países desenvolvidos, os representantes dos demais governos se recusam a se comprometer com metas de redução dos gases de efeito estufa, o que inviabiliza o consenso obrigatório estabelecido pela ONU. Os governos de nações emergentes, a exemplo de China, Brasil e Índia argumentam que a responsabilidade histórica pela poluição do planeta é dos governos mais ricos, que se industrializaram primeiro.
Entretanto, a COP16 deverá ser importante para fortalecer as bases de um futuro tratado, além de estabelecer a regulamentação do mecanismo de Redução de Emissões por Desmatamento e Degradação (Redd, na sigla em inglês) e o financiamento de ações de mitigação e adaptação às mudanças climáticas. [EcoD]
http://blog.eco4planet.com/2010/11/derrota-na-camara-faz-obama-abandonar-plano-de-limitacao-de-emissoes/

Anvisa propõe diminuir o uso de substâncias químicas em alimentos

28 de outubro de 2010
 

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) pretende reduzir a contaminação de alimentos por substâncias químicas. A Consulta Pública nº 101, publicada nesta quinta-feira (27/10), revisa os limites atuais de substâncias como chumbo, cádmio, mercúrio e arsênio nos alimentos.
Estas substâncias são capazes de contaminar rebanhos, peixes, plantas e a própria água potável, atingindo a população por meio da cadeia alimentar. Os limites máximos propostos pela Consulta Pública foram baseados nos dados dos países, avaliações e referências internacionais, além de terem sidos discutidos durante dois anos na Comissão de Alimentos do Mercosul com todos os Estados Membros.
A proposta estabelece que os níveis de contaminantes devem ser os mais baixos possíveis, com a aplicação das melhores práticas e tecnologias. O objetivo é impedir a ingestão de alimentos contaminados e diminuir a ingestão de substâncias químicas a níveis que não produzam impacto significativo na saúde do consumidor.
Entre os contaminantes inorgânicos, o chumbo é um dos de maior importância. Em altos níveis, pode ocasionar encefalopatia aguda e, em baixos níveis, afeta o desenvolvimento mental, provoca doenças cardiovasculares, afeta a fertilidade e a gestação, causa anemia e hiperirritabilidade, diminuição do apetite e apatia, entre outros. Os efeitos são mais graves em crianças, afetando principalmente o desenvolvimento cerebral, especificamente com redução do quociente de inteligência (QI).
http://portal.anvisa.gov.br/wps/portal/anvisa/home/alimentos#

04/11/2010

The Production Chain

The Production Chain

Production chain refers to the various stages of production which a given ingredient undergoes; from the extraction of the raw material to the distribution of the finished goods to the consumer. The production chain can be divided into three different stages: the production stage, the processing stage and the distribution stage.
Production stage
This is the initial stage within the production chain in which the raw materials or ingredients are cultivated and harvested, typically on a farm or a plantation. These raw materials or ingredients will later be combined to form the final product which eventually reaches the consumer.
Processing stage
This stage usually includes the initial processing of the raw material or ingredient that is being prepared for exporting. It takes place on either the farm/plantation or in the processing factory. Some ingredients are further processed in importing countries. The processing steps taken after the import of the raw material are often the ones that add the most value to a given product.  

 
Distribution stage
 
This stage includes the transport and sale of the end product to the consumer. The retailer buys large amounts of the final product from a supplier and then sells them on to the consumer. You, too, are part of the production chain when buying a product at the supermarket, the canteen at the company you work for, or at your favourite restaurant. 
Whole chain
There are, however, a number of issues that can affect all stages of the production chain.
Outside the chain
Outside the chain refers to issues that do not take place within the production chain but have nevertheless influence over the processes that take place within the chain. Some examples include unfair import tariffs and quotas or market distorting subsidies.

Each stage of the production chain involves its own set of circumstances and conditions which also vary per sector. Fairfood International recognizes the complexity of the production chain and the many varied issues that must be worked on and developed in a more just manner.  However, we also recognize the need to start on the most pressing existing issues in each sector. This is why we have extracted from the wider scope of our sustainability agenda what we believe to be the most pressing issues to make them our first priority.  Each sector, therefore, has a different list of priority issues with its corresponding link to the chain so we may best focus our efforts.

Water Mismanagement and Contamination

Water mismanagement and contamination occur when the quality and/or quantity of water resources available are altered by human activities. Inefficient and ineffective use of water resources can lead to the over-use of water or water stress and create problems of scarcity; this is defined as water mismanagement. In the food and beverage sector this problem is often associated with over-irrigation but it can also be linked to the overuse of water during industrial processes of food production. Water contamination happens when harmful chemicals, pesticides or other dangerous residues are discharged into water bodies without adequate treatment to remove damaging compounds. Run-off from chemicals sprayed on fields and animal waste can enter local water systems, leading to significant problems if not properly treated.

Based on: 
http://www.fairfood.org/facts/sustainability-agenda/environmental-issues/#c10070

28/10/2010

Ranking mundial aponta países mais vulneráveis às mudanças climáticas

mapa
Ao clicar na imagem você tem a opção baixar o PDF para visualizar o mapa ampliado
/Imagem: Maplecroft


Uma consulta feita com 170 países pela empresa britânica Maplecroft divulgada nesta quarta-feira, 20 de outubro, aponta as regiões do mundo mais vulneráveis às mudanças climáticas. Segundo o levantamento, o Sul da Ásia é a região de maior fragilidade às alterações do clima, em razão da crescente população exposta a inundações, secas, tempestades e elevação do nível do mar.

O Índice de Vulnerabilidade pelas Mudanças Climáticas pretende ser um guia para o investimento estratégico e a adoção de políticas. Dos 16 países listados como em risco "extremo" devido às mudanças climáticas nos próximos 30 anos, cinco são do Sul da Ásia, com Bangladesh e Índia em primeiro e em segundo lugares, respectivamente, Nepal em quarto, Afeganistão em oitavo e Paquistão em 16º. A China (49º) e o Japão (86º) estão na categoria de "alto risco", assim como o Brasil (81º) - nossa equipe tentou entender as razões para essa colocação brasileira no ranking, mas não obteve êxito.

A metodologia adotada pela empresa global de aconselhamento de riscos se baseia em 42 fatores sociais, econômicos e ambientais, o que inclui a capacidade de resposta dos governos, no intuito de avaliar o risco para a população, os ecossistemas e os negócios em função das mudanças climáticas.

O Sul da Ásia é especialmente vulnerável por causa de mudanças em padrões climáticos que resultam em desastres naturais, como as recentes inundações no Paquistão e Bangladesh, que afetaram mais de 20 milhões de pessoas. "Há evidências crescentes de que as mudanças climáticas aumentam a intensidade e a frequência de eventos climáticos", afirmou à AFP Anna Moss, analista ambiental da empresa.

Insegurança alimentar e fome

Bangladesh ocupa a primeira posição do ranking devido a uma dupla má sorte. O país asiático tem o maior risco tanto de seca quanto de fome, além de lutar contra a pobreza extrema e a alta dependência na agricultura (o setor econômico mais afetado pelas mudanças climáticas). Como se não bastasse, possui o governo menos capaz de responder aos impactos climáticos, na avaliação da Maplecroft.

Sobre a Índia, segundo país mais populoso do mundo (só atrás da China) com cerca de 1,5 bilhão de habitantes, a empresa britânica observou que "Quase todo (o país) tem um alto nível ou nível extremo de sensibilidade às mudanças climáticas, devido à severa pressão populacional e ao consequente abuso de recursos naturais. A isto se soma um alto nível de pobreza, baixa qualidade da saúde em geral e dependência agrícola de grande parte da população."

Entre os países da categoria de "médio risco" estão a Rússia (117º), os Estados Unidos (129º), a Alemanha (131º), a França (133º) e a Grã-Bretanha (138º). A Noruega lidera o pequeno grupo de 11 países considerados em baixo risco, dominado pelos escandinavos e pelos holandeses, que têm trabalhado para defender seu território, situado abaixo do nível do mar, da elevação das águas dos mares.

"As vulnerabilidades mais sérias às mudanças climáticas foram encontradas no grupo de países em desenvolvimento com sistemas socioeconômicos mal equipados para responder a desafios como a segurança alimentar e hídrica, além de sofrerem com economias instáveis e instituições fracas. Este é o caso de um grande número de países, estando o Sul da Ásia e a África no centro das preocupações", concluiu Fiona Place, também da Maplecroft.
Com informações da AFP
http://http://www.ecodesenvolvimento.org.br/

27/10/2010

O que pode ser feito para combater a fome?

O Placar da Fome mostra que programas de assistência social bem formulados, tais como geração de emprego, transferência de renda, distribuição de alimentos e merendas escolares gratuitas são uma importante arma de combate à pobreza. Como demonstra a experiência da China de iniciativas de redução da pobreza, esta luta é mais eficaz quando o governo se concentra em apoiar pequenos agricultores que cultivam a maioria dos alimentos básicos consumidos localmente. A agricultura contribuiu quatro vezes mais para a redução da pobreza do que o crescimento nos setores fabris ou de serviços so naquele pais.
Para reduzir a fome à metade em cinco anos, é preciso aprovar planos nacionais que sejam suficientemente ambiciosos, que estejam focados no apoio aos agricultores pobres, principalmente mulheres, e que venham acompanhados de programas de proteção social para garantir que as famílias não sucumbam quando os preços sobem ou as colheitas são perdidas.
No Brasil, ainda é necessário avançar na consolidação de políticas de segurança alimentar e nutricional e aprofundar o apoio aos agricultores familiares com melhor acesso a crédito e assistência técnica, recursos hídricos adaptados ao semiárido e ampliação de mercado para a produção desse setor. Sobretudo, é preciso investir mais em um modelo sustentável de agricultura que respeite o meio ambiente e evite o agravamento de efeitos climáticos adversos.
O Brasil tem um papel de crescente liderança internacional e pode usar sua influência para atuar em prol de políticas globais de redução da fome e proteção da agricultura familiar e sustentável. Uma ação importante é promover o intercâmbio com outros países sobre as medidas bem sucedidas de redução da pobreza aplicadas aqui. Por outro lado, deve promover um modelo de desenvolvimento que coloque limite à expansão indiscriminada e não regulada do agronegócio e particularmente da produção de agrocombustíveis.
Além de ações de emergência, os governos, incluindo o Brasil, devem se comprometer a agir para retardar as mudanças climáticas, com uma redução de pelo menos 40% das emissões dos países desenvolvidos até 2020 e aumento do seu compromisso de financiamento com, no mínimo, US$ 200 bilhões anuais, e mudar a estratégia em relação aos biocombustíveis, eliminando as metas e subsídios de produção que colocam em risco a segurança alimentar e oferecem pouco ou nenhum benefício ambiental.

E o mundo contra a fome?


O Mundo
A China também fez progressos impressionantes e cumpriu suas obrigações em relação ao primeiro dos Objetivos do Milênio antes do tempo. Gana reduziu os níveis de fome em 75% entre 1990 e 2004. No Vietnã, a taxa de crianças abaixo do peso caiu de quase 45% no início da década de 1990 para menos de 20% hoje. Da mesma forma, Malaui também colocou um fim decisivo aos anos de fome recorrente, reduzindo o número de pessoas necessitadas de 4,5 milhões em 2004 para menos de 150 mil em 2009.
Embora haja motivos para comemorar, o estudo traz conclusões alarmantes e que pedem ações urgentes em 20 dos 28 países em desenvolvimento estudados. A Índia, celebrada pelo sucesso entre as economias emergentes, tem uma em cada cinco pessoas com fome, além de 50% das crianças desnutridas. O Paquistão viu, de 1990 para cá, a proporção da fome crescer de uma pessoa em cada quatro para uma em cada duas.  A República Democrática do Congo tem o pior desempenho: 76% da população passam fome, percentual quatro vezes maior que o registrado na década de 90. Segundo projeções da ActionAid, Senegal e Quênia só cumprirão suas metas em 2124 e 2060, respectivamente!
Mesmo antes de a crise financeira e alimentar ter empurrado a fome para um nível sem precedentes, a desnutrição foi a causa de cerca de 4,5 milhões de mortes infantis a cada ano. Mais de 1,2 milhão de crianças podem morrer desnecessariamente entre hoje e 2015.  Além da perda de vidas, a fome também produz prejuízos invisíveis e permanentes de potencial humano. A fome na infância reduz em 20% os ganhos salariais de uma pessoa afetada pela desnutrição ao longo da vida, o que diminui a produção econômica global.
A ActionAid estima que o não cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio custe aos países em desenvolvimento cerca de 450 bilhões de dólares por ano em perda de PIB. Esta estimativa foi calculada a partir de pesquisa comparativa da ONU em paises da América Central sobre  perdas  2% e 12% do PIB causadas por morte infantil e repetência escolar. Esse cálculo foi projetado sobre as regiões mais pobres do planeta, como a África Subasaariana e paises em desenvolvimento da Ásia, chegando ao valor aproximado de 450 bilhoes de dólares.Este montante é dez vezes maior do que o valor que a ONU considera suficiente para atingir o objetivo.

Quem está realmente combatendo a fome?

Pela segunda vez, o Brasil ocupa o primeiro lugar do grupo de países em desenvolvimento, principalmente, por ter conseguido atingir a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas desnutridas e de crianças abaixo do peso em pouco mais de 10 anos.
Porém, se tirarmos as posições privilegiadas de Brasil, China, Gana, Malauí e Vietnã, que ocupam os cinco primeiros postos do documento, a fome global retrocedeu 19 anos: atingiu exatamente o mesmo nível em que estava em 1990. Há 500 milhões de pessoas em situação crônica de desnutrição e um bilhão sofrendo, diariamente, com a fome.

O Brasil

A razão de indicar o Brasil como líder do placar está no fato de a cobertura de políticas do bem-estar ter sido significativamente ampliada nos últimos anos. Houve aumentos reais do salário mínimo e a expansão de um programa nacional de transferência de renda, introduzido em conjunto ao crédito subsidiado e a programas de compras governamentais que apoiam os pequenos agricultores. Tomadas simultaneamente, estas medidas tiveram impacto fundamental na redução da desigualdade brasileira.
O Brasil conseguiu reduzir o número de pessoas vivendo em extrema pobreza de 21 milhões em 2003 para 8,9 milhões em 2008, afirma Rosana Heringer, diretora executiva da ActionAid no Brasil.
Embora as melhorias sejam visíveis e a meta tenha sido atingida, a organização aponta que ainda é preciso fazer mais investimentos na agricultura familiar, que produz 75% do que é consumido pela população. O programa de compra de produção dos agricultores, por exemplo, poderia ser ampliado se recebesse maior orçamento e se ganhasse mais agilidade nos repasses aos produtores.

25/10/2010

Consea: contra a fome, apoio à pequena produção

24.09.2010 

O apoio concedido pelo governo à agricultura familiar - principalmente na forma de concessão de crédito, de assistência técnica e de mecanismos de garantia de comercialização do produto - é peça fundamental na estratégia de combate à fome no Brasil. A análise foi feita pelo presidente do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), Renato Maluf, em entrevista concedida ao programa Cidadania, da TV Senado,
A grande diferença entre o programa brasileio e o de outros países é exatamente esse apoio, afirmou. Além de conceder crédito e assistência técnica à agricultura familiar, o governo brasileiro determinou ainda que os programas nutricionais do país - entre eles o da merenda escolar - adquiram pelo menos 30% dos seus alimentos junto a esses pequenos agricultores.
O êxito do programa brasileiro de combate à fome, reconhecido por diversos organismos internacionais, incluindo-se aí a Organização das Nações Unidas (ONU) deve-se "ao engajamento da sociedade civil no tema e à decisão política de enfrentar o problema, adotada pelo presidente Lula logo no início do seu governo", disse. Renato Maluf explicou ainda a forma de atuação do órgão que dirige no combate à fome, destacando os resultados que vêm sendo obtidos pelo Brasil, na sua opinião um dos poucos países que, no que se refere ao combate à pobreza e à fome, tem registrado notáveis progressos com relação às metas do milênio fixadas para o período de 2000 a 2015.

Fonte: Agência de Notícias do Senado Federal

Segurança Alimentar

    Uma boa alimentação começa bem antes do preparo do alimento. Depende de questões mais complexas como o direito a terra, a água, as sementes e, principalmente, conhecimento e condições para produzir o alimento. É disso que se trata a Soberania Alimentar.
    Mas o que nos levou a discutir este assunto foi a ameaça que sofre a nossa Soberania Alimentar através de um ciclo de dependência que começa e se fortalece pela falta de valor que damos à nossa cultura e aos alimentos que nossos antepassados costumavam preparar. 

 Monocultura > Perda da biodiversidade > Transgênicos e patentes > Esterilização das sementes > Monopólio do patrimônio natural > Aumento da dependência e perda de renda > Fome > Padronização da dieta alimentar.

    A via Campesina, que é um movimento internacional que coordena organizações camponesas, fala sobre a necessidade de se pensar a soberania alimentar:
“Cada país tem o direito, e o dever, de promover, de modo soberano, a produção dos alimentos que sua terra pode proporcionar para garantir o atendimento das necessidades alimentares de sua população. Isso, garante a soberania política, a identidade nacional. Pois sem soberania alimentar abrimos as portas para a dominação estrangeira disfarçada de integração comercial.”
    Esta soberania se consegue quando quebramos as correntes da dependência na produção de alimentos para o nosso povo. Isso não é fácil, mas possível.
Através da valorização dos nossos costumes, e discussão e renovação dos mesmos para que continuem vivos e de acordo com a nossa realidade; do uso das sementes crioulas, do fortalecimento da agricultura familiar, e de um maior uso de nossas plantas nativas para alimentação...
    Também é importante questionar e combater o que pode ameaçar a nossa soberania como as sementes transgênicas, deixam o agricultor e a agricultora dependentes dos vendedores de venenos e adubos químicos e ainda de mais sementes a cada plantação; a desvalorização dos nossos alimentos e plantas nativas; o latifúndio e a falta de tecnologias para a agricultura familiar. Mas, com certeza não é nos isolando e deixando de conhecer o que existe de diferente que vamos conseguir criar essa valorização dos nossos costumes e saberes. O fato é que a tal globalização está aqui, em tudo e pode tanto nos fortalecer como nos machucar, depende do lado que seguramos a faca...