Pela segunda vez, o Brasil ocupa o primeiro lugar do grupo de países em desenvolvimento, principalmente, por ter conseguido atingir a meta de reduzir à metade a proporção de pessoas desnutridas e de crianças abaixo do peso em pouco mais de 10 anos.
Porém, se tirarmos as posições privilegiadas de Brasil, China, Gana, Malauí e Vietnã, que ocupam os cinco primeiros postos do documento, a fome global retrocedeu 19 anos: atingiu exatamente o mesmo nível em que estava em 1990. Há 500 milhões de pessoas em situação crônica de desnutrição e um bilhão sofrendo, diariamente, com a fome.
O Brasil
A razão de indicar o Brasil como líder do placar está no fato de a cobertura de políticas do bem-estar ter sido significativamente ampliada nos últimos anos. Houve aumentos reais do salário mínimo e a expansão de um programa nacional de transferência de renda, introduzido em conjunto ao crédito subsidiado e a programas de compras governamentais que apoiam os pequenos agricultores. Tomadas simultaneamente, estas medidas tiveram impacto fundamental na redução da desigualdade brasileira.
O Brasil conseguiu reduzir o número de pessoas vivendo em extrema pobreza de 21 milhões em 2003 para 8,9 milhões em 2008, afirma Rosana Heringer, diretora executiva da ActionAid no Brasil.
Embora as melhorias sejam visíveis e a meta tenha sido atingida, a organização aponta que ainda é preciso fazer mais investimentos na agricultura familiar, que produz 75% do que é consumido pela população. O programa de compra de produção dos agricultores, por exemplo, poderia ser ampliado se recebesse maior orçamento e se ganhasse mais agilidade nos repasses aos produtores.
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