Nutrição Sustentável


Nutrição Sustentável - Para uma saúde verdadeira

30/04/2011

Centro da ONU lança série multimídia sobre a erradicação da pobreza


Brasília, 26 de abril de 2011 - O desafio da erradicação da miséria entrou de vez para a agenda política dos líderes mundiais. A discussão sobre estratégias para aliar crescimento econômico com inclusão social vem recebendo grande atenção por parte de governos de vários países em desenvolvimento e emergentes, com destaque para o Brasil, Índia, China e África do Sul, que intensificam cada vez mais o diálogo político e o intercâmbio de ideias na área social. Com o objetivo de promover o debate sobre estratégias de redução da pobreza a partir das experiências dos demais países em desenvolvimento, o Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (IPC-IG) lançou a série “Ideias para Erradicar a Miséria”. O capítulo lançado hoje focaliza o Bolsa Família e apresenta avaliações sobre o programa e experiências em transferências de renda de outros países, como a Índia, Nicarágua e México.

A série consistirá em sete capítulos semanais, que abordarão diversas questões e enfoques sobre a temática da erradicação da pobreza, tais como conceitos de proteção social, diferentes abordagens sobre a gestão de programas de transferência de renda, inovações na geração de empregos e agricultura familiar. Cada capítulo trará um episódio do documentário “Uma Jornada pela Proteção Social no Brasil”, produzido em dezembro de 2010 no âmbito do Programa África-Brasil de Cooperação em Desenvolvimento Social, bem como publicações e materiais de referências do IPC-IG e de sua rede de parceiros. Para o Assessor de Comunicação do Centro, Francisco Filho, a série “busca tornar as iniciativas de outros países mais conhecidas no Brasil. Buscamos engajar a sociedade civil na discussão sobre políticas sociais; por isso, o lançamento em parceria com várias organizações da sociedade civil no país”.

O primeiro capítulo abordou o conceito de proteção social a partir de entrevistas com pesquisadores e conselheiros do IPC-IG e do IPEA e de artigos que discutem as recentes experiências da Índia, Zâmbia, Quênia e Indonésia. De acordo com Fábio Veras Soares, Coordenador de Proteção Social e Transferências de renda do IPC-IG, “o país só vai conseguir crescer de maneira inclusiva, mais homogênea e equânime, se, ao mesmo tempo em que cresce, conseguir distribuir os frutos do crescimento de uma maneira mais equitativa e se conseguir prioritariamente atender às populações mais pobres e marginalizadas”.

O Brasil, expoente entre as economias emergentes, figura entre as principais referências na área de proteção social, que busca aliar o desenvolvimento econômico à inclusão daqueles que ficaram de fora da distribuição dos frutos desse crescimento. Os resultados alcançados pelo país surpreendem a comunidade internacional. Entre 2003 e 2008, houve redução de 43,03% da pobreza no Brasil, que corresponde à saída de 19,3 milhões de pessoas da miséria ou pobreza extrema (renda per capita abaixo de R$ 137,00 a nível domiciliar). A desigualdade no país, conforme medida pelo coeficiente de Gini, caiu de 0,59 em 2001 para 0,53 em 2007. (Fonte: CPS/FGV e PNUD).

https://www.fao.org.br/

Agroecologia


capa.jpgA ciência busca unir conhecimentos científicos e humanos para obter uma agricultura plenamente sustentável / Foto: David Bradbeer
Agroecologia é uma ciência ou campo de conhecimentos de natureza multidisciplinar, cujos ensinamentos buscam contribuir com a construção de estilos de agricultura de base ecológica e com a elaboração de estratégias de desenvolvimento rural, tendo-se como referência os ideais da sustentabilidade numa perspectiva multidimensional. Ela é, portanto, uma proposta alternativa de agricultura familiar socialmente justa, economicamente viável e ecologicamente sustentável.

A agroecologia não deve ser considerada algo isolado, e sim uma ciência integradora que agrega conhecimentos de outras ciências, além de agregar saberes populares e tradicionais provenientes das experiências de agricultores familiares de comunidades indígenas e rurais.
Na agroecologia a agricultura é vista como um sistema vivo e complexo, inserida na natureza rica em diversidade vegetal, mineral e animal, onde existem infinitas formas de relação entre estes e outros habitantes do planeta. Ela ainda engloba modernas ramificações e especializações, como agricultura biodinâmica, ecológica, natural, orgânica, os sistemas agro-florestais, permacultura, entre outros.

Segundo a pesquisadora Ivani Guterres, a abordagem agroecológica propõe mudanças profundas nos sistemas e nas formas de produção. “Na base dessa mudança está a filosofia de se produzir de acordo com as leis e as dinâmicas que regem os ecossistemas – uma produção com e não contra a natureza. Propõe, portanto, novas formas de apropriação dos recursos naturais que devem se materializar em estratégias e tecnologias condizentes com a filosofia-base", diz.

A agroecologia pode ser vista, portanto, como uma abordagem da agricultura que se baseia nas dinâmicas da natureza. Dentro delas se destaca a sucessão natural, a qual permite que se restaure a fertilidade do solo sem o uso de fertilizantes minerais e que se cultive sem uso de agrotóxicos.
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Algumas das metas da agroecologia / Imagem: UFV

União das ciências naturais e sociais

Uma das maiores inovações trazida pelos estudos agroecológicos é a junção harmônica de conceitos das ciências naturais com conceitos das ciências sociais. Tal junção permite o entendimento acerca da agroecologia como ciência, como movimento e como prática dedicada ao estudo das relações produtivas entre homem-natureza, visando sempre a sustentabilidade ecológica, econômica, social, cultural, política e ética.

Por isso o resgate de saberes de comunidades indígenas e camponesas tradicionais é essencial e está atrelado à formulação de saberes acadêmico-científicos, buscando a cooperação e a unidade desses diferentes conhecimento na construção da agroecologia.
Para a agrônoma Ana Primavesi, esse laço entre o saber tradicional e popular é essencial nesse campo. "Sempre que os manejos agrícolas são realizados conforme as características locais do ambiente, alterando-as o mínimo possível, o potencial natural dos solos é aproveitado. Por essa razão, a agroecologia depende muito da sabedoria de cada agricultor desenvolvida a partir de suas experiências e observações locais."

Todos esses fatores tem feito com que a agroecologia se tornasse peça chave na agricultura e no desenvolvimento sustentável. Tanto que o campo já ganhou apoio de organizações como a ONU, que apresentou um documento em março de 2011 onde afirma que a agroecologia é subestimada por muitos governos.

O relatório, intitulado Agroecology and the right to food, apresenta os resultados dos últimos cinco anos de pesquisa na área de práticas agroecológicas e defende o aumento da utilização da técnica, que tem tido êxito em diversos locais do mundo.

15/04/2011

MDA e França vão defender Agricultura Familiar no G20

Agricultura Familiar ganhará destaque no encontro agrícola em Paris.

Talentos do Brasil: moda da agricultura familiar é vendida em Mônaco

15/04/2011 02:20

Vestidos e blusas de artesãs do projeto Talentos do Brasil serão comercializados em uma loja de produtos ecológicos e da economia solidária em Mônaco, microestado situado ao Sul da França, a partir da próxima semana. São peças dos grupos Florestas, do Amazonas, e Lã Pura, do Rio Grande do Sul. A venda é fruto da negociação feita pelo Talentos durante a feira de moda Prêt-à-Porter, que aconteceu na cidade de Paris, em setembro de 2010.
O grupo Florestas trabalha com a fibra de juta, cipó ambé e cipó titica, sementes, sobras de madeira e de látex com detalhes coloridos em chita. Com esse material, 39 artesãs de duas comunidades às margens do Rio Madeira e outra da cidade de Manicoré, a 390 quilômetros de Manaus, fazem bolsas, chapéus, acessórios e roupas. Os homens colhem o látex para produzir borracha e as mulheres aproveitam a sobra em delicadas peças de artesanato.
O grupo Lã Pura é formado por artesãs de dois municípios da Fronteira Oeste do Rio Grande do Sul – São Borja e Uruguaiana. A matéria-prima é a lã de ovelhas e carneiros da raça crioula. A lã é tingida, fiada e transformada em xales, mantas, echarpes e vestuário. As artesãs gaúchas também usam crina de cavalo para a confecção de bijuterias e bolsas, com uma proposta que une o tradicional ao contemporâneo.
O projeto também começa a vender peças para a Inglaterra e já começou a negociar com Japão e Bélgica.
O Programa Talentos do Brasil
O Talentos do Brasil é desenvolvido pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), e conta com as parcerias do Programa Texbrasil (ABIT e APEXbrasil) e com o apoio da Agência de Cooperação Alemã (GTZ) e do Ministério do Turismo (MTur). O projeto é um importante instrumento de geração de trabalho e renda para artesãs da agricultura familiar por meio do fortalecimento do processo de gestão, promoção e comercialização dos grupos artesanais. Reúne cerca de duas mil artesãs e artesãos do meio rural de 12 estados brasileiros, organizados em 19 cooperativas que, juntas, integram a Cooperativa Nacional Marca Única – Cooperunica. O projeto possui um portfólio com mais de 1500 produtos.

http://www.mda.gov.br/portal/noticias/item?item_id=7478763

Preços altos dos alimentos são a maior ameaça aos pobres, afirma Banco Mundial


 milho foi o produto que mais contribuiu para a alta dos pre�s
Milho registrou a alta mais considerável nos preços/Foto: Francisco Porto-Portugal
O presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, afirmou na quinta-feira, 14 de abril, que os preços altos e voláteis dos alimentos são hoje "a maior ameaça aos pobres ao redor do mundo". Dados apresentados pela instituição financeira apontam que novos aumentos podem colocar milhões de pessoas em situação de pobreza extrema.
De acordo com Zoellick, os preços dos alimentos já estão 36% mais altos que há um ano e um novo aumento de 10% colocaria mais 10 milhões de pessoas em situação de pobreza extrema (renda menor que US$ 1,25 por dia). Quando a projeção é de alta de 30%, o número de pessoas afetadas passaria a 34 milhões. Desde junho de 2010, 44 milhões de pessoas ingressaram na categoria de pobreza extrema, levando o número de indivíduos que se encontram nessa situação em todo o planeta para 1,2 bilhão.
"Mais pessoas podem se tornar pobres por causa dos preços altos e voláteis dos alimentos", alertou Zoellick, em Washington, onde será realizada a partir desta sexta-feira (15) a reunião de primavera do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Segundo o Banco Mundial, as crises recentes em países árabes e muçulmanos do Norte da África e do Oriente Médio contribuíram para a alta nos preços internacionais dos combustíveis e acabaram tendo impacto também no aumento dos preços globais dos alimentos e na estabilidade das nações mais afetadas.
"Os preços dos alimentos não foram a causa das crises no Oriente Médio e no Norte da África, mas são um fator agravante", observou Zoellick, ao afirmar que a inflação dos preços dos alimentos chega a dois dígitos em países como o Egito e a Síria, palcos de revoltas populares recentes.
Entre os produtos que contribuíram para a alta dos preços estão o milho (aumento de 74% em um ano), trigo (69%), soja (36%) e açúcar (21%). Os preços do arroz, porém, permaneceram estáveis, segundo um relatório do Banco Mundial.
Outros fatores que influenciaram a alta recente dos alimentos são problemas climáticos em países exportadores, restrições a exportações em alguns mercados e baixos estoques globais. O Banco Mundial cita ainda entre os fatores que influenciaram a alta dos preços o aumento do uso de grãos para a produção de biocombustíveis.
Entre as medidas sugeridas para combater o problema está priorizar o uso de grãos para a alimentação, em detrimento de biocombustíveis, quando os preços dos alimentos excederem certos limites.
Segundo os estudos do banco, os países mais pobres são mais afetados pela inflação dos alimentos do que as nações de maior renda.
Outras medidas que poderiam reduzir esse impacto, diz o Banco Mundial, sugerem programas nutricionais e de assistência social para os mais pobres, remover restrições à exportação de grãos e melhorar a capacidade dos países de lidar com a volatilidade, por meio de instrumentos de mercado financeiro, melhores ferramentas de previsão do tempo e mais investimentos em agricultura.

08/04/2011

E há pessoas que sustentam a idéia de Belo Monte

"Botaram fogo na minha plantação", diz desalojado por hidrelétrica do Madeira


(Foto: Rogério Cassimiro)

O agricultor Jacob Belarmino mora de favor num quartinho de dimensões modestas na cidade de Porto Velho, capital de Rondônia. Há oito meses, ele e sua família de seis pessoas se amontoam em colchões no chão e no único beliche do cômodo. Comem o que a solidariedade dos vizinhos lhes permite. Sua condição já foi mais abastada. Belarmino diz que, no passado, chegou a ganhar cerca de R$ 2 mil por semana com a venda da banana que nascia em suas terras. Sem contar o dinheiro do gado, dos porcos, das cabras. Para os padrões amazônicos, tinha uma vida rica. Num piscar de olhos, tornou-se quase miserável.

A família de Belarmino é só uma das milhares atingidas pelas obras da hidrelétricas do rio Madeira, nos arredores de Porto Velho. As construções atraíram dinheiro e empresas para a região. Geraram empregos. Aumentaram a arrecadação de impostos. Com o progresso, porém, chegou também o aumento da violência, do uso de drogas e da prostituição. A explosão da população. O caos no sistema de saúde. E esses são só os impactos indiretos.

As obras atingiram milhares de pessoas que viviam à beira do rio. As usinas vão alagar uma área próxima de 600 km2. Não é muito, comparado aos reservatórios de usinas construídas no passado (Tucuruí, inaugurada nos anos 80 no Pará, inundou quase 3 mil km2). A redução dos reservatórios é possível graças à tecnologia de fio d’água, um avanço na engenharia. A despeito do alagamento sumário, os problemas desta etapa são grandes. Nas margens afetadas vivem cerca de 2.300 famílias. Estão ali há anos, próximas da floresta, de suas plantações e de igarapés. É um modo de vida singular – e difícil de ser reproduzido.

Em muitas casas, o rio passava próximo ao quintal. O contato com o verde se dava em tempo integral. Há muitos relatos de moradores sobre a tristeza vinda com a mudança. Eles dizem que alguns idosos caíram em depressão. Uns foram embora. Outros morreram de tristeza. Essas pessoas não abandonaram só suas casas. Deixaram para trás uma história, um jeito de existir. A situação de Belarmino é ainda mais crítica. Era dali que ele tirava o sustento da família.

Belarmino vivia com a família em uma casa de palafita em uma ilha de 450 hectares (ou 450 campos de futebol) no rio Madeira. Havia 20 anos que ele estava ali. Seus antepassados chegaram há 100 anos. Ele diz que os bisavós estão enterrados às margens do rio. Era posseiro, mas tinha a documentação do INCRA que atesta o direito adquirido do imóvel. Além da floresta e da vida tranquila, o que tinha de mais valioso na propriedade era 22 mil pés de banana.

O agricultor diz que a Santo Antônio Energia, consórcio responsável pela usina que vai encher de água suas terras, avaliou seu imóvel considerando todas as bananeiras. O tamanho da indenização se dá de acordo com o valor do imóvel e das benfeitorias que há nele, como plantações, casa de farinha, floresta em pé para ser cortada e vendida. No dia 10 de julho do ano passado, um sábado, Belarmino estava em Porto Velho a trabalho quando recebeu uma ligação. Era um amigo contanto que dezenas de homens e máquinas tinham entrado na ilha. Estavam derrubando árvores, queimando os plantios (as bananeiras, inclusive). “Botaram fogo na minha plantação. Dois dias depois, eles apareceram na minha propriedade dizendo que ela tinha bem menos pés de banana, para baixar o valor da indenização”, afirma Belarmino. “O primeiro laudo dizia 22 mil. O segundo, 13 mil pés, sendo que 60% destes estariam doentes. Eles querem me pagar muito menos que o justo”.

A família precisou deixar o local. Afugentados pelo fogo, os animais começaram a invadir a casa. Sem as árvores, uma barreira natural que ajuda a amenizar os ventos das tempestades, as paredes ficaram vulneráveis. Belarmino se mudou para a residência de um amigo, depois de outro. A peregrinação já dura oito meses. Sem renda, eles agora vivem de doações de cestas básicas. A empresa admite que cortou sem intenção alguns pés de banana. “Durante a limpeza [desmatamento autorizado pelo Ibama para a construção das usinas] da ilha andamos cortando umas bananas dele”, afirma Carlos Hugo Annes de Araújo, diretor de sustentabilidade da Santo Antônio Energia.

Depois de um longo impasse, Belarmino entrou na Justiça contra a Santo Antônio Energia. A empresa fez o mesmo. Araújo diz que o caso da família é isolado. “Das 1.700 famílias a serem realocadas por causa da hidrelétrica, somente 100 entraram com processos judiciais”, diz o diretor. “Cinquenta já foram julgados, com 100% de aprovação. Ganhamos todas as causas”. Na semana passada, um juiz teria dado o veredicto sobre o caso de Belarmino. A companhia ganhou mais uma vez.

Por problemas deste tipo, as obras do Madeira são hoje o maior foco de desmatamento na Amazônia. E não representam um bom exemplo para a polêmica hidrelétrica de Belo Monte.

http://colunas.epoca.globo.com/planeta/

Aconteceu



Movimentos sociais protestam contra reforma do Código Florestal e uso de agrotóxicos

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Manifestantes da CUT contra a reforma no Código Florestal / Fotos:
Marcello Casal Jr-ABr
Pequenos agricultores, trabalhadores rurais sem terra, ambientalistas, representantes das populações atingidas pela construção de barragens, quilombolas, estudantes e integrantes de várias entidades sociais promoveram na quinta-feira, 7 de abril, em Brasília, uma marcha contra a reforma do Código Florestal e o uso de agrotóxicos.
Segundo Paola Pereira, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), os movimentos sociais decidiram aproveitar o Dia Mundial da Saúde, comemorado no dia 7, para lançar a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida. O principal objetivo da iniciativa é conscientizar a população sobre os riscos do uso indiscriminado de defensivos agrícolas, a falta de fiscalização, a contaminação dos solos e águas por essas substâncias e seu impacto na saúde dos trabalhadores rurais e da população em geral.
“É preciso discutir o assunto entre os agricultores, nas escolas, nos espaços públicos e projetos de lei. Temos que pressionar o governo para que suas agências fiscalizem, de fato, a utilização dos agrotóxicos. Desde 2009, o Brasil é campeão mundial no uso destes produtos”, afirmou Paola.
Quanto à reforma do Código Florestal, Paola comentou que o MST é contra o projeto já apresentado pelo deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP). “Se é preciso fazer alterações, nós temos que chamar a sociedade para o debate. Isso não é algo a ser discutido apenas com o lobby político dos ruralistas no Congresso [Nacional]”.
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Para José Josivaldo Alves de Oliveira, da coordenação nacional do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), a proposta de Aldo Rebelo seria “um grave retrocesso em termos ambientais”. “A questão da mudança do Código Florestal unificou os vários movimentos sociais. E, embora não tenhamos ilusão e saibamos que é uma luta difícil e desigual, estamos convencidos de que se conseguirmos mobilizar a sociedade brasileira, conseguiremos evitar que o projeto do deputado seja aprovado”, declarou Josivaldo.
Já o coordenador adjunto de Política e Direito do Instituto Socioambiental (ISA), Raul do Valle, classifica como “mentirosa” a campanha a favor da reforma do Código Florestal nos termos propostos pelo deputado Aldo Rebelo (PcdoB-SP), relator do projeto. “Nós queremos políticas públicas. Queremos a ajuda do Estado na forma de assistência técnica. Já à bancada ruralista, só interessa o perdão das multas. E, com base em mentiras, numa campanha terrorista, eles vêm conseguindo obter apoio para modificar a legislação de uma forma que beneficia somente aos grandes proprietários”.
Integrante da direção da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Maria da Graça Amorim, defende que o atual Código Florestal não é empecilho para a produção agrícola familiar e que as mudanças propostas beneficiarão apenas os grandes produtores. “Nós só precisamos de alguns hectares para produzir. Já o agronegócio pegou as melhores terras, desmatou-as porque não mora nelas, coloca agrotóxico porque não consome o que produz e, agora, ainda quer desmatar as beiras dos rios.”
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De acordo com a agricultora Julciane Azilago, do Movimento Mulheres Camponesas (MMC), se o governo quer estimular a agricultura basta disponibilizar mais recursos para os produtores familiares. “A maioria dos créditos do governo vão para os grandes produtores, sendo que o pequeno agricultor é quem gera muito mais empregos e produz a maior diversidade de alimentos. E é justamente o agronegócio quem mais utiliza agrotóxicos”.
Os integrantes dos movimentos sociais também entregaram um documento, com seu posicionamento acerca do Código Florestal, à ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira. As entidades defendem a manutenção dos atuais índices de reserva legal e de áreas de preservação permanente, bem como a obrigação da recuperação de todo o passivo ambiental nessas áreas, a não-anistia aos desmatadores, a criação de políticas públicas que garantam a recuperação produtiva das áreas protegidas e o desmatamento zero em todos os biomas brasileiros, com exceção dos casos de interesse social.
*Colabrou Juliana Maya, repórter da Rádio Nacional da Amazônia

http://www.ecodesenvolvimento.org.br/posts/2011/abril/movimentos-sociais-protestam-contra-reforma-do

Especialistas alertam para o perigo dos agrotóxicos para o meio ambiente

http://www.ecodesenvolvimento.com/
agrot�icosAgrotóxicos/Foto: Arthur Tahara
Especialistas que participaram de mesa-redonda promovida pela Rádio Nacional de Brasília, da Empresa Brasil de Comunicação, para debater o uso inadequado de agrotóxicos nas lavouras, alertaram para a importância de substituir os defensivos agrícolas por produtos de menor toxicidade e também para o perigo do uso de agrotóxicos contrabandeados.
Eles observaram que é preocupante a contaminação dos produtos agrícolas e de origem animal que pode afetar a saúde humana. Professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro e ex-presidente da Comissão Nacional de Energia Nuclear, José Luiz Santana, um dos debatedores, ponderou que o uso de defensivos acaba sendo necessário para que a produção agrícola mundial se situe no patamar anual de 2 bilhões de toneladas de grãos.
Por isso, segundo ele, “é preciso que a própria sociedade cobre o emprego correto desses produtos de forma que os efeitos negativos para a saúde do consumidor sejam reduzidos”.
O médico e doutor em toxicologia da Universidade Federal de Mato Grosso Wanderlei Pignatti afirmou que, em 2009, foram utilizados, no Brasil, 720 milhões de litros de agrotóxicos. Só em Mato Grosso, foram consumidos 105 mil litros do produto. Ele indaga “onde vai parar todo esse volume” e defende a reciclagem das embalagens vazias a fim de não contaminarem o meio ambiente.
Pignatti alerta que a chuva e os ventos favorecem a contaminação dos lençóis freáticos. Entre os defensivos agrícolas mais perigosos, ele cita os clorados, que estão proibidos em todo o mundo e ainda são utilizados largamente no Brasil. São defensivos que causam problemas hormonais e que podem afetar a formação de fetos, segundo o médico.
O professor relatou que, nos locais onde o uso de agrotóxicos não é feito com critério, encontram-se casos de contaminação do próprio leite materno, “o alimento mais puro que existe”, o que ocorre pela ingestão do leite de vaca. “A mulher vai ter todo o seu organismo afetado quando o seu leite não estiver puro e os efeitos tóxicos podem ficar armazenados nas camadas de gordura do corpo”.
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Lençol freático contaminado/Foto: Tracy Barnett
Ele lembrou ainda há resolução do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento que proíbe a pulverização de agrotóxicos num raio de 500 metros onde haja habitação e instalações para abrigar animais, distância que tem que ser observada também em relação às nascentes.
O engenheiro agrônomo Mauro Banderali, especialista em instrumentação ambiental na área de aterros sanitários, reconhece que, apesar da cultura de separação do lixo tóxico em aterros que há existe no país, ainda não se sabe exatamente o potencial dos agrotóxicos para contaminar o solo e a água e, consequentemente, os seres humanos pelo consumo de alimentos cultivados em áreas pulverizadas.
“A preparação do campo para o plantio é, frequentemente, feita sem se saber se vai vir chuva. Quando o tempo traz surpresas, ocorre a contaminação das nascentes em lugares onde a aplicação foi demasiada”, afirmou.
O professor José Luiz Santana ressalva que há, no país, propriedades muito bem administradas onde há a preocupação de manter práticas sustentáveis. Ele, no entanto, denunciou que há agricultores que usam marcas tidas como ultrapassadas na área dos químicos e que podem ser substituídas por alternativas de produtos mais evoluídos, disponíveis no mercado.
Para ele, apesar da seriedade do assunto, “não se deve assustar as pessoas quanto ao consumo de alimentos”, já que as áreas do governo que cuidam do tema têm o dever de trabalhar pelo bom uso dos agrotóxicos e, além disso, conforme ressaltou, a agricultura conta com um “trabalho de apoio importante por parte de organizações não governamentais que procuram difundir o uso correto dos defensivos agrícolas.