O Placar da Fome mostra que programas de assistência social bem formulados, tais como geração de emprego, transferência de renda, distribuição de alimentos e merendas escolares gratuitas são uma importante arma de combate à pobreza. Como demonstra a experiência da China de iniciativas de redução da pobreza, esta luta é mais eficaz quando o governo se concentra em apoiar pequenos agricultores que cultivam a maioria dos alimentos básicos consumidos localmente. A agricultura contribuiu quatro vezes mais para a redução da pobreza do que o crescimento nos setores fabris ou de serviços so naquele pais.
Para reduzir a fome à metade em cinco anos, é preciso aprovar planos nacionais que sejam suficientemente ambiciosos, que estejam focados no apoio aos agricultores pobres, principalmente mulheres, e que venham acompanhados de programas de proteção social para garantir que as famílias não sucumbam quando os preços sobem ou as colheitas são perdidas.
No Brasil, ainda é necessário avançar na consolidação de políticas de segurança alimentar e nutricional e aprofundar o apoio aos agricultores familiares com melhor acesso a crédito e assistência técnica, recursos hídricos adaptados ao semiárido e ampliação de mercado para a produção desse setor. Sobretudo, é preciso investir mais em um modelo sustentável de agricultura que respeite o meio ambiente e evite o agravamento de efeitos climáticos adversos.
O Brasil tem um papel de crescente liderança internacional e pode usar sua influência para atuar em prol de políticas globais de redução da fome e proteção da agricultura familiar e sustentável. Uma ação importante é promover o intercâmbio com outros países sobre as medidas bem sucedidas de redução da pobreza aplicadas aqui. Por outro lado, deve promover um modelo de desenvolvimento que coloque limite à expansão indiscriminada e não regulada do agronegócio e particularmente da produção de agrocombustíveis.
Além de ações de emergência, os governos, incluindo o Brasil, devem se comprometer a agir para retardar as mudanças climáticas, com uma redução de pelo menos 40% das emissões dos países desenvolvidos até 2020 e aumento do seu compromisso de financiamento com, no mínimo, US$ 200 bilhões anuais, e mudar a estratégia em relação aos biocombustíveis, eliminando as metas e subsídios de produção que colocam em risco a segurança alimentar e oferecem pouco ou nenhum benefício ambiental.
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